
Talvez com a escalação mais indie dos últimos anos em um indie já naturalmente indie, o Rec-Beat deste ano montou sua arilharia a partir de um veterano da música eletrônica, uma revelação do indie europeu e dois novos clássicos do pop nacional. Só pude ver boa parte dos dois primeiros dias – 18 e 19 de fevereiro, também conhecidos como sábado e domingo de Carnaval. Ainda teitei a atração final da segunda-feira, a neo-felakutiana Bixiga 70, mas o cansaço momesco me fez desistir de encarar a espera, que incluía um show de Lirinha solo no meio (não dá). E como viajei de volta a São Paulo na terça à noite, também perdi o provavelmente ótimo show de Criolo, que encerrou o festival.

No sábado, fui apresentado ao show solo de Tibério Azul, recém ex-Mula Manca, que lançou o primeiro disco ano passado. As canções são essencialmente country-pop com letras lúdicas e ele ainda puxou uma de Mutantes (“Não Vá Se Perder Por Aí”) e outra de Raul Seixas (“Eu Também Vou Reclamar”). Falta algum tempero no som do cara. Tempero que veio de sobra na seguinte, a paraense Gang do Eletro, que foi uma jam de tecnobrega acelerado de quase uma hora, meio como um “Asian Dub Foundation meets Gaby Amarantos”. Animadíssimo, mas teve como ponto fraco a falta de cadência na condução do show, ficando rapidamente repetitivo. Já Siba conseguiu unir os dois mundos e fez o melhor show da noite. Deixou os arranjos das músicas do disco “Avante” mais pesadas, vestiu-se de mulher e remeteu ao seu ex-projeto, o Fuloresta do Samba, com dois convidados de Nazaré de Mata e um maracatu improvisado no final, causando total empatia. No fim, veio El Guincho e seu pop eletrônico suingado, com ecos de Hot Chip e Animal Collective. O grupo espanhol comandado por Pablo Díaz-Reixa passou por problemas no som, mas o pior mesmo foram os arranjos muito semelhantes das músicas. Tem bastante potencial (o hit “Bombay” é ótimo), mas ficaram devendo uma apresentação à altura das expectativas.

A banda de jazz experimental Embuás começou o domingo sem fazer muita concessão ao evento Carnaval e tocou jams pesadas à la “Bitches Brew” de Miles Davis. Até gostei um pouco, mas certamente era uma banda em local e hora errados. Já o produtor de funk carioca Sany Pitbull foi o animador de festa da noite, com muito remix de funks e outros clássicos do pop e rock de diversas décadas, meio como um Fatboy Slim da Rocinha. Ainda contou com uma participação de Zé Brown, do Faces do Subúrbio, que emendou um rap em cima de uma base de Luiz Gonzaga (“Retrato de um Forró”), em (mais uma) homenagem ao Velho Lua, que faria 100 anos em 2012. Showzaço. Depois ficou até difícil para Simeon Coxe III, vulgo Silver Apples. Achei que o velhinho seria vaiado em menos de cinco minutos, mas o meu Recife não deixa de me surpreender. Muita gente ficou lá vendo os loops atonais caladinho, aplaudiu e até pediu bis ao cara, que atendeu! Histórico foi, certamente. Veio depois o camarada Tony Tornado, com uma banda competente capitaneada não mais por ele, que está velho (ele mesmo admitiu), mas por seu filho Lincoln e a cantora Nanny Soul. Mesclou suas canções com clássicos dos bailões (sim, teve Tim Maia e Jorge Ben). Não fiquei até o final; foi divertido porém previsível. O Carnaval me agurdava na segunda-feira.
Fotos (mal tiradas): Silver Apples, El Guincho e Gang do Eletro
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* Paul McCartney deixa flores em memorial de Whitney Houston [Rolling Stone]
[soundcloud]http://soundcloud.com/slicingupeyeballs/public-image-ltd-one-drop[/soundcloud]
* Música nova do PIL, o Public Image Ltd., “One Drop”. É a primeira canção inédita da banda de John Lydon em 20 anos [Bracin]
[soundcloud]http://soundcloud.com/yajna/marchinha-melissa[/soundcloud]
* Indie gaúcho também curte Carnaval. Não sei se esse pedaço de uma versão marchinha de “Melissa” do Bidê ou Balde foi iniciativa da própria banda ou de outros, mas ficou boa [Bianchini deu a dica]

* O cartão de Valentine`s Day do Facebook do “Walking Dead” [Facebook]
* E a quem interessar possa, a formação original do Guns n’ Roses deve mesmo se reunir no Rock n’ Roll Hall of Fame deste ano [Billboard]
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=AzjSRO_-aPM]
* Mais Whitney: a cômica homenagem de um fã de “Dragon Ball Z” à falecida [Várias fontes]
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Pior que ficou aceitável. Vi no Stereogum.
Aliás, a “I Will Always Love You” original de Dolly Parton é obviamente brega, mas é na medida:
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Uma das minhas teorias que justificam um show arrebatador é que no show em questão, você assiste já sabendo que está presenciando a história acontecer diante de seus olhos. E talvez a melhor música feita no Brasil em 2012 estivesse ali diante de mim e de minha esposa naquela noite de 20 de janeiro de 2012, data em que também comemorávamos quatro anos de casamento.
Após encarar umas 300 pessoas na fila de entrada sem grandes atropelos, em cerca de quinze minutos adentramos ao Cine Joia pela primeira vez. Porém a noite já traria o primeiro – e felizmente o único – revés: o atraso para o primeiro show, o de Marcelo Jeneci, que seria às 22h e subiu ao palco quase duas horas depois.
A longa espera serviu para observarmos melhor o Joia, nova casa de shows no bairro paulistano da Liberdade, com sua pista principal para shows de médio porte moldada por uma concha acústica coberta por estilosas projeções em mapeamento 3D. Nada que tenha sido suficiente para aplacar nosso desagrado pela espera. Mas valeria a pena.
Jeneci e Tulipa Ruiz costumavam se apresentar juntos no bar Grazie a Dio, na Vila Madalena, em meados de 2008, ano em que eu casei e também vim morar em São Paulo. Ambos vieram a “acontecer” em 2010 e ocasionalmente se reencontraram em pequenas participações. Mas a dupla definiu aquela noite no Joia como o primeiro revival daquelas noites conjuntas de 2008 desde que ganharam o reconhecimento artístico.
Ambos desafiam o estereótipo da estrela pop: Jeneci é baixinho e tímido, Tulipa é gordinha porém sorridente e bastante comunicativa. Ambos são capitães de uma cena que eles mesmos autoapelidaram, meio de brincadeira, de Novos Paulistas, uma provável alusão aos Novos Baianos. Uma geração que, assim como sua inspiração, conduz sua música em função de detalhes e cenas da vida cotidiana, como uma reafirmação do bucólico e do pitoresco. O grande tema que interessa aos dois – e em maior ou menor grau aos seus colegas de cena Tiê, Cérebro Eletrônico e Thiago Petit – é o de sempre: o amor.
Penso nessa cena como um manifesto contra a atual ordem das coisas de São Paulo, cidade no qual vivem mas talvez não se sintam devidamente representados. A megalópole brasileira começou mal a década, com arroubos de agressão e intolerância contra gays, estressantes engarramentos de trânsito e uma política de combate às drogas sem respeito aos direitos dos cidadãos viciados. Jeneci e Tulipa negam essa realidade dizendo que “a ordem das árvores não altera o passarinho” ou que é “melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você”. Podíamos analisar isso como uma alienação da classe média, o que tem lá sua razão de ser, mas acho essa conclusão limitante. Prefiro acreditar em uma recuperação dos valores universais, os que deveriam sempre ser nossas prioridades: amor, amizade, bem estar, paz de espírito.
Jeneci e banda (Laura Lavieri na voz e piano, Régis Damasceno no baixo, Estevan Sinkovitz e João Erbetta nas guitarras e Richard Ribeiro na bateria) subiram primeiro ao palco, com um repertório calcado quase todo em seu primeiro e até agora único disco, “Feito pra Acabar”, pop adocicado com o melhor dos açúcares. A faixa-título, aliás, é um belo contraponto ao restante do show, com seu arranjo sombrio e a potente frase “A gente é feito pra acabar”. No outro pólo, o das canções ensolaradas, difícil não se apaixonar por “Felicidade”, uma das melhores participações de Laura Lavieri. A voz dela é marca registrada da canção e prova que ela só não decolará em uma carreira solo se não quiser. Outro ponto alto foi “Pense Duas Vezes Antes de Esquecer”, baladinha nos versos e rock Mutantes no refrão.

Já Tulipa veio depois. Ela é uma diva anti-Marisa Monte na atitude: saem os gestos e discursos ensaiados e entram o improviso e o natural nervosismo que se torna aconchego com o passar do show. No palco, parecia entorpecida pela própria felicidade de voltar a São Paulo depois de vários shows pela Europa divulgando seu disco de estreia, “Efêmera”. O repertório do disco/show é desde já clássico: abriu com a faixa-título, depois vieram “Pedrinho”, “Da Menina”, “A Ordem das Árvores” e “Brocal Dourado”, além de uma cover de “Da Maior Importância”, composição de Caetano Veloso para o disco “Índia”, de Gal Costa.
Os dois amigos fizeram as esperadas intromissões nos shows um do outro. Primeiro Tulipa foi a Jeneci cantar uma composição conjunta, “Dia a Dia, Lado a Lado”. Depois ele foi ao dela cantar e tocar no acordeon “Às Vezes”. Em ambos os momentos falaram com o público do prazer que sentiam naquele momento e outras coisas, mas a acústica do Cine Joia prejudicou o entendimento desses momentos, apesar de se sair bem nos momentos de música.
No público, mais um momento da São Paulo atual: as pessoas se dividiam entre as desinteressadas que falam muito durante as músicas, as interessadas em registrar o show com suas câmeras e celulares e as que curtiam todo à moda antiga, só ouvindo. Jeneci e Tulipa também poderão ser lembrados no futuro como artistas dessa nova fase da fruição artística, que o smartphone (esse termo também há de ser esquecido e depois recuperado como gíria antiga) se tornou quase uma extensão dos nossos sentidos e memória. Também fiz isso. Tirei fotos e gravei algumas canções no meu celular de modelo defasado, com imagem imperfeita, borrada e trêmula, mas é o relato imperfeito de quem esteve lá, naquele ângulo, naquelas condições, se mexendo conforme a música ou saindo de quadro por causa de um beijo na mulher que ama.
Há quem reclame do celular-filmadora, querendo recuperar a nostalgia da mundo antes da existência desse aparelho. Mas naquele mundo, era comum reclamarmos que presenciávamos muita coisa boa mas não tínhamos câmera à mão para o registro da posteridade. Agora vivermos um excesso do extremo oposto daquela vida sem tecnologia. Há de chegarmos a um equilíbrio, mas é um momento novo e excessos farão parte.
Filmando ou apenas observando, o importante foi ter estado lá, assim como estive em 1994 no Circo Voador vendo Chico Science na época do lançamento do “Da Lama Ao Caos” cantando “vou lembrando a revolução”. E a revolução continua, silenciosa, mas sem pressa. O melhor momento da vida é, e sempre deve ser, o momento que você está vivendo agora, fazendo parte daquilo que está acontecendo. Jeneci e Tulipa hoje são pesos pesados da boa música brasileira graças não apenas ao natural talento de ambos, mas porque estamos compartilhando nossa felicidade com eles.
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A filha multitalentos de João e Adriana Falcão – ela também é atriz e roteirista – já ganhou mais de um milhão e meio de acessos com essa musiquinha singela. O legal é que a categoria do video no Youtube é “comedy”, mas vai dizer que você não gostou?

Encerramos então esta semana de luto pela talentosa Rê Bordosa britânica com duas músicas dela abrindo e fechando a playlist, mas ela vem acompanhada de umas novidades. E ainda meti um clássico do Talking Heads no meio; como estou de partida para a África do Sul, a idéia era algo “world music” e daí inicialmente pensei em “Waka Waka”, mas optei por uma canção “parente”.
01 – Amy Winehouse – “A Message To You Rudy” (ao vivo – Glastonbury 2008)
02 – Hold Your Horses! – “We Dear Are a Desert”
03 – Cansei de Ser Sexy – “Knife” (cover de Grizzly Bear)
04 – Dale Earnhardt Jr. Jr. – “Nothing But Our Love”
05 – Handsome Furs – “What About Us”
06 – M83 – “Midnight City”
07 – Summer Fiction – “Chandeliers”
08 – Talking Heads – “Nothing But Flowers”
09 – Washed Out – “Eyes Be Closed”
10 – Amy Winehouse – “Rehab (Hot Chip Remix)”
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Para baixar, clique aqui.
Charge: daqui.

* A foto acima é da participação de Katy Perry na série “How I Met Your Mother” (O Capacitor).
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* Já viu esse fanfarrão chamado Fabrício Vinheteiro, que toca músicas de desenhos animados e filmes no piano com muita habilidade, sem ironia? Tem mais no canal do YouTube dele.

* Imagem genial que vi na Pix.

* Quer 68 imagens de Olivia Munn sensualizando? Tomaí, via Buzzfeed.

* Velhinho estiloso, hein? (Fuck Yeah Dementia)
* Rock In Rio confirma Rihanna, Katy Perry e Elton John no primeiro dia do festival (UOL Música)
E aí, tudo bem com vocês? Não sei se sentiram falta do blog, mas eu senti.
Da turnê de Amy Winehouse, que já tá rolando, à estreia do quarto “Missão Impossível” em dezembro, passando por muitos discos novos, shows no Brasil, eventos pop, filmes… enfim, 2011 promete ser mais agitado culturalmente do que 2010. Afinal, não teremos Copa do Mundo, eleições e outras coisas que nos “distraíram” tanto no ano passado.
Fora que anos que terminam em “1″ tem sido muito marcantes. Em 1991 conhecemos o Nirvana e engatamos no grunge, além do R.E.M. ter lançado seu disco blockbuster, o “Out of Time”, o U2 veio com “Achtung Baby”… Já em 2001 o tal do “novo rock” (ah, os rótulos…) nos apresentou o “Is This It” do Strokes e o “White Blood Cells” do White Stripes, além do lançamento de “Donnie Darko”, “Cidade dos Sonhos” e do primeiro filme de Harry Potter, que - ironia? – termina sua saga nas telas neste ano. Pelo quê 2011 será lembrado?
Quanto a mim, depois desse recesso, confesso que ainda estou sem saber muito bem como tocar esse barco de novo. Mas pelo menos acho que sei como resolver: simplesmente pondo a mão na massa de novo. O lance é ir fazendo na base da tentativa e erro.
Mas já sei de algumas sutis mudanças e propostas que devo implantar aqui. Tudo vai depender, como sempre, das circunstâncias – leia-se tempo livre e disposição. Afinal, para o bem ou para o mal, isso aqui ainda é o meu hobby (com paixão, dedicação e seriedade, mas ainda assim um hobby). E o de vocês, espero, será se divertir acompanhando-o.
Sem mais delongas, vamos curtir esse resto de verão, com ou sem chuvas. Daí deixo com vocês essa aprazível imagem da praia de Viña del Mar, no Chile, onde recarreguei minhas energias no último Natal.
Bom 2011 para todos nós. Vamo nessa!


Avenida São João, debaixo do elevado do Minhocão, em São Paulo.







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