Infâmia à parte, o esperado dia chegou e vou ali descobrir o que essa tal de Europa tem de tão legal, afinal. Como já falei antes, tentarei postar de lá, mas não é garantido. De qualquer forma, estarei de olho na internet sempre que puder. A gente se fala em breve :) Nem vai dar tempo de sentir saudade.

* “Moonrise Kingdom”, novo filme de Wes Anderson, estreia em Cannes e tem Bruce Willis e Bill Murray no elenco; este último, porém, resolveu aproveitar a ocasião para brincar de hipster [Hollywood Reporter]
* Mais boas novas de Cannes: o trailer de “Maniac”, remake de um filme de William Lustig sobre um serial killer de mulheres e que contará com Elijah Wood no elenco [ComingSoon]
* PJ Harvey contribuirá com duas músicas novas para o documentário de Mark Cousins, “What Is This Film Called Love?” [Guardian]
* Nick Stahl, o John Connor de “Exterminador do Futuro 3″, está desaparecido. Ainda não saíram retratos falados dos robôs do futuro suspeitos [Guardian]
* Saudades de Carla Bruni? O Jezebel argumenta por que a nova primeira-dama da França, Valérie Trierweiler, é demais [Jezebel]

Primeiro, o protesto de Elisa Gargiulo, da banda Dominatrix, em meio a uma manifestação antiaborto.
Depois, a bancada evangélica brincando de Show de Calouros gospel no Congresso Nacional:
No primeiro vídeo, pergunto a mim mesmo se expor opinião divergente dentro de uma manifestação pública é democracia, provocação, sabotagem ou tudo isso junto… e se é mesmo necessário para que haja debate em vez de mera exposição descerebrada de ideias. Além disso, e se fosse o contrário, como os esquerdistas liberais reagiriam ao cartaz de algum pastor reafirmando seus valores? Sim, porque fora o muro de cartazes que circundaram a menina – uma reação legítima, apesar de numericamente injusta – até que não houve nada mais grave ali…
Quanto à moça pregando e cantando no Congresso, logo me veio a cabeça clichês como “que absurdo”, “o Estado é laico”, “é assim que eles gastam nossos impostos, etc”, mas pensando bem, e o grande Eduardo Suplicy vez ou outra cantando Bob Dylan, como fica? E olhe que sou fã de ambos.
E você, o que acha disso tudo?
* Vídeos indicados por Luiz Pattoli e Márvio dos Anjos
* O nome do filme já entrega. “WONDER WOMEN! The Untold Story of American Superheroines” é um documentário de Kristy Guevara-Flanagan que estreou no SXSW com o objetivo de fazer justiça à importância da Mulher-Maravilha não apenas para a cultura pop, mas para a autoestima das mulheres americanas. Pra ficar de olho quando trouxerem ao Brasil [Huffington Post]
* Tom Morello planeja na sexta-feira uma “festa flash mob” para o Occupy SXSW com sua banda nova, a Freedom Fighter Orchestra, no set principal, e mais outro com Wayne Kramer e amigos [Rolling Stone]
* Turntable.fm, misto de rede social e “ataque de DJ”, anuncia acordos com quatro grandes gravadoras nos Estados Unidos [G1 e Wired]
* Antropóloga Amber Case defente que o computador e o celular já são nossos cérebros externos [Link Estadão]
* Mobb Deep e Just Blaze participaram em uma festinha que misturou “Star Wars” com hip-hop [Complex]

Cheguei em São Paulo ontem à noite e pulei da cama pro trabalho, por isso vou ficar devendo pra mais tarde uma descrição mais detalhada, mas por enquanto posso resumir assim: foi épico.
ATUALIZAÇÃO: Enfim… cheguei em Olinda no sábado, historicamente o “dia mais tranquilo” por causa da concorrência com o Galo da Madrugada. Após curtir o bloco Fique na Sombra, presidido e frequentado por amigos, reencontrei vários outros no Tá Bom a Gente Freva, que vem ganhando fama com suas covers “frevificadas” de clássicos do rock. O repertório foi quase o mesmo do ano passado – “Eleanor Rigby”, “Day Tripper”, “Beat It”, “Iron Man”, “Still Loving You”… só percebi “Sultans of Swing” como novidade – mas foi ótimo. Já no domingo, tentei o I Love Cafusú e não rolou, então pulei para o Bairro do Recife e vi de relance o Quanta Ladeira, que uma galera adora mas nem acho lá muita graça. E à noite, o Rec-Beat, do qual falei com mais detalhes neste post.
Abaixo, mais fotos, incluindo as minhas máscaras de celebridades facilmente identificáveis deste verão 2012. Sem julgamentos: era Carnaval. E que Carnaval! Valeu, Recife, valeu Olinda.









No ano da morte de Steve Jobs, um dos principais responsáveis por estarmos cercados de gadgets eletrônicos, o Facebook seguiu o curso da história e venceu o Orkut. O que surpreendeu um pouco foi ter se tornado o termo líder do Google Zeitgiest brasileiro neste ano, ameaçado a hegemonia do Twitter entre os mais “modernos” e ainda fez o Google mexer os pauzinhos para criar sua maior investida em redes sociais até agora, o polêmico Google Plus (ou Google +). Aliás, no Google Zeitgeist global, o Plus é o segundo termo em crescimento e estranhamente o Facebook não aparece no top 10, o que é meio suspeito…
Voltando ao Facebook, a inveitável orkutização finalmente aconteceu, com seus pais, mães e amigos noobs enchendo seu mural com mensagens e imagens que são o supra-sumo da vergonha alheia wébica. Nesse ponto o meme “Esta pessoa” – aquele com setinha em direção ao seu avatar – foi o campeão com seus protestos de sofá.
O Twitter também teve suas orkutizadas (aliás, não gosto muito desse termo; eu mesmo acho o Orkut, no conjunto, uma rede social mais interessante que o Facebook) e na maioria das vezes serviu de bancada para comentarmos a TV, os esportes e as notícias polêmicas: o UFC, o Pan, o futebol, as marchas da maconha/liberdade/ficha limpa, a Primavera Árabe, o Occupy Wall Street, a morte de Gaddafi, a morte de Steve Jobs, a morte de Amy Winehouse, a estupidez de Jair Bolsonaro, Ricardo Teixeira, o BBB, os finais de novela… para todos os gostos.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SmnkYyHQqNs]
O vídeo viral do ano, também atestado pelo Zeitgeist e pela retrospectiva do YouTube acima foi o elaboradamente tosco videoclipe de “Friday” da “revelação” Rebecca Black. De resto, achei o ano fraco de virais gringos.
As entrevistas de Charlie Sheen foram o espetáculo youtúbico do ano, e o Zangief Kid chegou no começo de 2011 e não largou o posto de meu vídeo gringo favorito do ano até agora. Mas o resto foi meio fraco. Tivemos bebês gêmeos falando em língua própria, o comercial de carro do pequeno Darth Vader, a bobeira do Nyan Cat, velhinhos tentando entender a webcam, um menino convencido pela psicologia reversa… nada de mais.
Já no Brasil a safra foi bem rica, e claro, bem voltada para o humor e a tosqueira. Vou listar os mais legais no fim desse texto, mas o meu preferido foi o mais despretensioso e low profile. Quando eu vi o dos mamilos polêmicos, logo me lembrei dos vídeos caseiros que eu fazia com meus primos com a câmera de VHS deles. A gente falava qualquer bobagem que vinha à cabeça e aquilo parecia muito engraçado pra gente na época, mas certamente devia ser a coisa mais constrangedora do mundo.
Foi exatamente esse espírito que o vídeo captou. E a gente ri justamente por lembrar que uma dia já fomos crianças desocupadas e sem noção do ridículo. Só que agora essas crianças estão cercadas de câmeras – é a webcam, o celular, a câmera de bolso, a emissora de TV – e todas elas são potenciais estrelas das webbobagens da semana. E vale lembrar que a produção e edição de vídeo e áudio também estão aí facinhas, ajudando a revelar gente como o autor do meu segundo vídeo do ano, “Sou Foda”. Que tempos ótimos e ao mesmo tempo assustadores que estamos vivendo.
Os 10 melhores vídeos virais brasileiros de 2011
* Mamilos polêmicos
* Avassaladores – “Sou Foda”
* Trenzinho Carreta Furacão versão “Lisztomania”
* Magali Dançarina
* Larica dos Mulekes
* A banda Mais Bonita da Cidade – “Oração” e suas versões
* Chico Buarque fala sobre comentários de internet
* Google translate zuando Yudi
* System of a Dilma
* Radiohead – “Lotus Flower” e suas versões
Os 5 melhores vídeos virais estrangeiros de 2011
* Zangief Kid
* Rebecca Black – “Friday”
* Charlie Sheen e a entrevista do “winning”
* Comercial da Volkswagen com o pequeno Darth Vader
* Nyan Cat

Lembra do que Frank Miller disse sobre o Occupy? Pois bem… finalmente o principal responsável pelas máscaras de V de Vingança deu seu pitado, e para variar, não economizou na metralhadora.
Bem, Frank Miller é alguém cujo trabalho mal acompanhei nos últimos 20 anos. Acho que as coisas de Sin City são misoginia ultrapassada, 300 parecia ser incrivelmente anistórico, homofóbico e completamente equivocado. Ouvi falarem do discurso dele contra o movimento Occupy. É o tipo de coisa que eu esperaria dele. Sempre me pareceu que o mundo dos quadrinhos, em sua maioria, se você tivesse que localizá-lo politicamente, seria de centro-direita. Essa posição seria a mais liberal que eles se permitiriam ir (…) Tenho falado isso desde o começo da minha carreira.
Sim, seria justo dizer que eu e Frank Miller temos posições diametralmente opostas sobre todo tipo de coisa, e certamente sobre o movimento Occupy.
Do meu ponto de vista, o movimento Occupy são pessoas comuns exigindo direitos que eles sempre deveriam ter. Não consigo pensar em nenhuma razão para nós, como população, ficarmos assistindo à redução drástica dos nossos padrões de convívio e dos nossos filhos, possivelmente por gerações, enquanto as pessoas responsáveis por isso têm sido recompensadas. Eles certamente não têm recebido punição em nenhum sentido, porque são ‘grandes demais para errar’. [O movimento] é um grito justificado de ultraje moral e parece que está sendo conduzido de um jeito pacífico e inteligente, o que provavelmente é outra razão para Frank Miller ficar tão desagradado. Tenho certeza de que se fossem uns jovens vigilantes sociopatas com maquiagem de Batman na cara ele seria bem favorável.
Iau!
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=HGpLwuP77lg]
Um dos maiores jogadores do nosso futebol. Isso bastaria pra marcá-lo na nossa história. Mas era um sujeito de muita personalidade e, coisa rara no futebol, inteligente e articulado demais. Mentor da Democracia Corintiana, esquerdista engajado com as Diretas Já, médico e sem papa na língua na hora de criticar quem quer que merecesse crítica, no futebol ou fora dele. Mesmo no seu auge, infelizmente teve como maior lacuna na carreira não ter levado uma das duas Copas que participou, 1982 e 1986 – esta última foi a primeira que acompanhei, no alto dos meus oito anos. Mas jogando daquele jeito, tudo bem, tava desculpado. E preciso registrar que tive a honra de conhecê-lo pessoalmente em um jantar com o colega Xico Sá. Vai lá, cedo demais, mas de forma poética, no domingo em que o Corinthians levou o título brasileiro de 2011.
Você conhece esse sujeito da foto ao lado? Porque mesmo quem era fã dele não o tem reconhecido nos últimos tempos.
O recente ataque de pelanca de Frank Miller sobre o Occupy Wall Street foi só a gota d’água de muita gente para com o ex-gênio dos quadrinhos. Ainda assim, muita gente – eu incluso – ainda está um pouco confusa. Afinal, Miller realmente acredita que o OWS é formado por estupradores e que o problema dos EUA ainda são os muçulmanos? Ou só está a fim de montar uma polêmica barata para promover seu novo e mal recebido álbum, “Holy Terror”?
Vale lembrar que apesar de pôr na boca de Batman a frase “Senhoras e Senhores… vocês comeram bem! Comeram a riqueza de Gotham … seu espírito! O banquete acabou!“, Miller já entrava em contradição desde o seu auge criativo, nos anos 80. Sua visão de Batman em “Cavaleiro das Trevas” e “Ano Um” sempre foi a de um cara que está acima da lei e com metódos que resvalavam na brutalidade, com direito até a espancar antigos aliados. Também mostrou uma afinidade com os ideias espartanos em “300″, sujeitos que viam na guerra e no culto à perfeição física uma filosofia de vida irrestrita.
Ou seja, não é preciso ir muito longe na análise de discurso para sacar as tendências fascistas do sujeito, mas sua genialidade era uma “desculpa” para que o perdoássemos. Mas e nos anos recentes, nos quais Miller não acertou uma? Tivemos aí aquela abominação chamada “Cavaleiro das Trevas 2″, depois o “All Star Batman e Robin”, o filme “The Spirit” e agora “Holy Terror”. Tudo indigno até mesmo do seu depósito de lixo.
Se por um lado concordo com Mark Millar que devemos separar o Millar cidadão do Millar artista, também penso que jogar preconceito e miopia política no ventilador em um assunto que requer seriedade e informação é uma queimação de filme das boas. Quem se irritou com o que Miller disse tem toda razão de estar irritado. Porque se o cidadão fala besteira e o artista está em sua pior fase, o que sobra?
A meu ver, um sujeito que merece o ostracismo por um bom tempo – ou pelo menos até voltar a produzir alguma história que preste.







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