Ficou parecendo um Cthulhu de H.P. Lovecraft. Ah, tem que clicar na imagem pra ampliar.

Foi-se hoje, apenas cinco dias após a morte de seu contemporâneo de humor e artes, Chico Anysio. Um dos poucos caras que ainda mereciam o pomposo título de “intelectual” neste país, foi cofundador do “Pasquim”, frasista impecável, afiado nas charges, grande ensaísta… mas tudo isso você já sabe (se não sabia, feche este blog e vá imediatamente ao site do cara), mas o que não sabe é que eu trabalho a alguns metros de um banner que ele concebeu para o UOL:
Talvez esteja ruim de ler (câmera de celular, foi mal), mas clica pra ampliar. Tem aí a palavra “ecmnésia”, que conheci por esse banner, e significa “evocação alucinatória de ocorrências do passado, com esquecimento de fatos recentes”. Sei lá por que, mas eu viajava muito nessa palavra.
Vai fazer muita falta.


Comecei os trabalhos tarde hoje e vou tentar postar mais, mas não garanto. Trabalho demais fora do blog, sabe como é. Mas fiquem aí com essa foto ótima que vi no Facebook de Matias e uma reportagem que fiz no BOL sobre o tal Dia do Saci, que desde 2003 tenta emplacar nossos mitos em vez dos gringos no 31 de outubro. Tem um vídeo que não consegui embedar, mas clica na imagem abaixo pra assisti-lo.
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Usando a tal ferramenta de reconhecimento de voz do celular da Apple, o Siri. E o trambolhinho nerd, adivinha, chama-se IRIS 9000 em homenagem à ficção científica perfeita de Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke. Vi no Gizmodo.
Será que ele também canta como o original?
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=OuEN5TjYRCE]


Na década de 1960, quando K. H. Scheer e Walter Ernsting a criaram, nenhum país ocidental sentia mais a pressão da Guerra Fria, do que a Alemanha. Enquanto a União Soviética criava o maior exército de invasão do mundo, os alemães ocidentais se viam no meio do caminho da imensa força de tanques da URSS e das suas divisões de infantaria blindada lançadas de pára-quedas. A Alemanha era a fechadura da Europa Ocidental, e nela os americanos despejaram tropas e mísseis nucleares, além da ajuda financeira.
Perry Rhodan, o personagem, é fruto direto desse estado de coisas. Um herói americano, mas um americano idealista, capaz de sonhar com uma Terra unida, sem fronteiras ou disputas ideológicas. “Para mim, todos os habitantes deste globo são homens”, diz o herói na primeira aventura, “terrestres, quaisquer possam ser a cor de suas peles, suas crenças ou ideologias. Por fim, se libertarão de suas angústias”.
Nesse sentido, a idéia da Terra unida em uma grande nação espelha a necessidade de uma Europa unida (exatamente o que vemos hoje), para então fazer frente tanto ao perigo soviético, quanto ao paternalismo norte-americano – representados talvez pelos arcônidas, de um lado despersonalizados pelo controle implacável do Cérebro Regente de Árcon, e de outro tão dependentes dos vigorosos terranos para deter a dissolução do seu império.
Nesse texto, o escritor e crítico Roberto de Sousa Causo fala sobre o contexto desse obscuro herói da ficção científica das bancas de revista. Morri e não sabia que era uma criação alemã, tampouco que só tem ghostwriter escrevendo.

Você acha que a facilidade em baixar música tem, de certa maneira, desvalorizado a música?
(….) Veja bem: quando a música custava dinheiro e vinha numa forma sólida, em que, para consegui-la, você tinha de ir a uma loja, e isso envolvia tempo e dinheiro, as pessoas davam mais valor a ela.
A equação é simples: se você gastou dinheiro num bem cultural, seja um livro, revista, disco, etc., você vai gastar tempo tentando extrair o máximo dele. Se você gasta dinheiro com um CD, vai prestar atenção nele quando tocá-lo, e vai tocá-lo mais vezes. Se você obtém um CD de graça, na forma de downloads, você fica mais propenso a ouvir poucas vezes e de uma forma mais distraída. Você vai ouvir a música enquanto faz outras coisas no computador (chamam a isso de “síndrome de atenção parcial”), e você muitas vezes nem vai ouvir o disco todo.
Além disso, se você vive baixando muita música, como as pessoas tendem a fazer quando conseguem música de graça, é matematicamente mais provável que você ouça cada canção menos vezes. E muitos discos só começam a se revelar totalmente depois de repetidas audições.
Para responder à sua pergunta: sim, eu diria que a cultura digital se fundamenta na facilidade, e que a facilidade de acesso e o custo mínimo de aquisição têm levado a uma depreciação no valor da música e à degradação da experiência audiófila.
Acho que esse papo de André Barcinski com Simon Reynolds, autor do livro “Retromania – Pop Culture’s Addiction to its Own Past” é uma das melhores entrevistas que li nas últimas semanas. Leia mesmo a entrevista toda, não apenas porque vale cada letra, mas porque devo estender mais o assunto em um texto mais pra frente.
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Potter Chan, óbvio! Ideia do Gak Attack que vi no Papel Pop.
Recife, Cais da Alfândega, Carnaval de 2011. Estava eu, esposa, prima da esposa e seu respectivo namorado, assistindo a Odair José no festival Rec-Beat quando um sujeito meio maltrapilho e abobalhado, talvez um pouco embriagado e cheio de alegria pelo ótimo show de brega, ficou balbuciando umas coisas engraçadas e sem sentido em nossa direção. Rimos e tentamos ignorá-lo, até que uma dessas coisas chamou de fato a nossa atenção. Ele falou apenas isso, em voz bem alta, sem mais nem porquê:
“HARRY POTTER!”
Como se não bastasse o absurdo da situação, a prima da minha esposa resolveu dar corda. Não apenas porque ela adora uma presepada, mas porque ela é fã ardorosa do bruxo. Respondeu pra ele: “HERMIONE”, e o cara, “DUMBLEDORE”, e assim ficaram, puxando nomes e fatos sobre os livros/filmes de J. K. Rowling, que nesta semana está encerrando uma das mais vitoriosas sagas da história da cultura pop.
Cerca de duas décadas atrás, a futura escritora mais rica do mundo sequer vislumbrava tamanho sucesso. Rowling teve um casamento fracassado em Portugal, ficou desempregada e com uma filha pequena para criar. Criou seu herói mirim enquanto esperava um trem, e foi desenvolvendo a história enquanto punha sua filha para dormir em cafés de Edinburgh, na Escócia.
De 1997 – ano de lançamento do primeiro livro de HP, “A Pedra Filosofal” – até 2011, quando “Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte II)” chegar aos cinemas, serão mais de 450 milhões de livros vendidos depois e mais de 6 bilhões de dólares arrecadados no cinema. A franquia “Harry Potter” alcança fãs de todo o globo e das mais diversas classes etárias e sociais, como provou a bizarra situação descrita no início deste texto. Claro que Rowling não passou esses 14 anos sem ouvir algumas coisas desagradáveis.
J. K. foi acusada de plágio: só para ficar em um exemplo, Harry lembra muito Timothy Hunter, criação de Neil Gaiman para os quadrinhos da DC/Vertigo “Livros da Magia”. Foi acusada de satanismo por abordar a bruxaria com tintas adolescentes. Foi muito criticada por autores e críticos de literatura, que a considerava uma autora medíocre.
Minha experiência com Harry, Hermione, Rony e cia. sempre foi restrita aos filmes. Que considero divertidos, embora um pouco iguais entre si – sempre trazem Harry chegando em Hogwarts para enfrentrar um perigo novo que levará a um novo confronto com Voldemort. Não tenho nada contra ler os livros um dia, mas também não são minhas prioridades. Muitas pessoas que eu considero a opinião gostam bastante. Dito isso, minha opinião sobre Harry Potter é a seguinte: ele é/será para a geração que nasceu nos anos 90, e que hoje está na casa dos 20 anos, nada menos do que o “Star Wars” do início do terceiro milêni0.
Não dá para dizer que a década de 2000 foi carente de superfranquias pop. Ao lado do rapaz com raio testa, tivemos a ascensão meteórica dos heróis da Marvel, dos Transformers, “Senhor dos Aneis”, a nova trilogia de “Star Wars” e o maior rival de Harry, a saga vampiresca teen “Crepúsculo”. Que por uma coincidência daquelas, também estará se encerrando nos cinemas neste ano e ainda foi estrelada por Robert Pattinson, revelado no quarto filme de Potter, “O Cálice de Fogo”.
Mas de todas as franquias citadas, apenas “Harry Potter” e “Crepúsculo” são conceitos surgidos há menos de 20 anos. Enquanto os blockbusters concorrentes têm como público-alvo adultos saudosistas, “HP” e “Crepúsculo” foram os exemplos mais recentes de zeitgeist – espírito de uma época – que a cultura pop já pariu. Ainda que bruxos e vampiros não sejam novidade há tempos, as sacadas de Rowling e Stephanie Meyer – qualquer dia escrevo mais sobre a saga dos vampiros sensíveis – para reembalar esses mitos modernos para os jovens é louvável, e não apenas do ponto de vista mercadológico.
A dona de Hogwarts teve um cuidado com sua criação que poucos têm. Seu contrato para levar Harry Potter ao cinema lhe dava poder de decisão criativa, e nisso exigiu que todos os filmes fossem filmados e ambientados na Inglaterra, com elenco completamente britânico. Acompanhou a elaboração de todos os roteiros para assegurar que os filmes mantivessem o mínimo necessário da história original dos livros. Foi ainda uma das responsáveis pela escolha dos atores que fariam Harry Potter, Hermione Granger e Ron Weasley.
Por tudo que foi dito neste texto, concluo dizendo que Joanne Rowling, Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman e até mesmo a Warner Bros. têm muito do que se orgulhar de Harry Potter. Toda geração precisa de exemplos e heróis. E nos anos 2000 não teve pra ninguém: a timidez de Harry, a inteligência de Hermione e o destrambelho de Ron são a seu modo os Luke, Leia e Han da década. Se meus filhos (que um dia terei) gostassem e se inspirassem neles, eu me sentiria tranquilo como pai.
Mesmo que Rowling volte a escrever histórias sobre Potter, como vem sugerindo, todo um ciclo se fechou aqui. E assim como já deixou na literatura, o jovem mago deixará na indústria do cinema um vácuo que poderá levar um bom tempo para ser preenchido.










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