
À primeira ouvida, a segunda playlist tem essencialmente a pegada meio mecânica e fria do krautrock alemão, mas entre uma batida repetitiva do Kraftwerk e as melodias secas do Can, perceberás que o país de Beethoven mostra um potencial calor humano, com pop, punk, metal e eletrônica acelerada no meio da festa. Entra no carro e vamos para a autobahn.
1. Kraftwerk – “Trans Europa Express”
2. David Bowie – Sound and Vision”
3. Stereolab – “Orgiastic”
4. Trio – “Da Da Da”
5. Nico – “These Days”
6. Nina Hagen – “Wir Leben Immer … Noch”
7. Atari Teenage Riot – “Deutschland (Has Gotta Die!)”
8. Reinhold Heil, Johnny Kilmek e Tom Tykwer – “Introduction”
9. Babaluga – “My Paradise”
10. U2 – “Ultra Violet (Light My Way)”
11. The Beatles – “Sie Leibt Dich”
12. Can – “Tango Whiskeyman”
13. Faust – “So Far”
14. Tangerine Dream – “Le Parc (L.A Street Hawk)”
15. Scorpions – “Rock You Like A Hurricane”

Nem acredito que finalmente vou conhecer o berço da civilização pop. Não economizei e só pus o crème de la crème do Reino Unido de todas as décadas nessa playlist. Haja coração.
1. The Beatles – “Magical Mystery Tour”
2. David Bowie – “The Jean Genie”
3. The Who – “Pinball Wizard”
4. Led Zeppelin – “Good Times Bad Times”
5. Pink Floyd – “See Emily Play”
6. The Kinks – “Everybody’s Gonna Be Happy”
7. The Rolling Stones – “You Can’t Always Get What You Want”
8. Black Sabbath – “Supernaut”
9. Iron Maiden – “Iron Maiden”
10. The Sex Pistols – “Pretty Vacant”
11. The Clash – “The Guns of Brixton”
12. The Cure – “A Forest”
13. The Police – “Roxanne”
14. Duran Duran – “The Reflex”
15. The Smiths – “Panic”
16. Queen – “Radio Ga Ga”
17. New Order – “Temptation”
18. Happy Mondays – “Step On”
19. Blur – “Girls & Boys”
20. Supergrass – “Lose It”
21. Radiohead – “The National Anthem”
22. Lily Allen – “LDN ”
23. Pulp – “Common People”
24. Primal Scream – “Beautiful Future”
25. PJ Harvey – “Let England Shake”

Aqui em São Paulo está frio e tranquilo nesta manhã de domingo, mas a quente Recife recebeu ontem à noite a visita – como bem analisou Fäbio Bianchini neste texto aqui – de um equivalente moderno a Tutancamon ou Moisés. Mas ainda assim a plateia se mostrou “desinteressada e apática”, nas palavras de colegas jornalistas.
Na Folha:
Como de costume, ele cortejou o público com frases pronunciadas em português capenga. O estádio do Arruda veio a baixo quando ele chamou os pernambucanos de “povo arretado”.
Mas faltou, justo ao povo cortejado, um pouco mais de reverência ou interesse.
A plateia, na maior parte do tempo, se dividiu entre a apatia e a dispersão. Dessintonizada do artista, por três vezes se conectou ao espetáculo: durante as execuções de “And I Love Her”, “Live And Let Die” (possivelmente por causa dos efeitos pirotécnicos) e “Hey Jude”.
Na Rolling Stone:
McCartney fez questão de anunciar que outra faixa, “The Night Before”, seria faria sua estreia no Brasil. Mas o que poderia ser uma informação empolgante acabou completamente perdida em um público que parecia mais interessado em conversar e tirar fotos (não do show – mas uns dos outros). Em momentos mais intimistas como na homenagem a John Lennon com “Here Today”, chegava a ser difícil ouvir a música, abafada pela conversa em alto volume no estádio.
ATUALIZAÇÃO: O UOL também adotou o termo “desinteressado”, mas também pegou falas dos fãs.
“Estou esperando há 50 anos para ver Paul McCartney de perto”, disse o padre Rafael Queiroz, 60. “Já tive outras chances de ir a um show dele, mas nunca pude. Agora é minha última chance. Hoje é um dia de festa para mim”, completou ele. E foi festa para uma grande parte das cerca de 40 mil pessoas que esgotaram os ingressos no estádio do Arruda. Outra parcela, especialmente na pista premium, não se importou tanto assim com quem estava no palco.
A plateia do primeiro de dois shows só em Recuife era dividida entre fãs dedicados e curiosos de plantão. O primeiro grupo trouxe pessoas de outros estados (Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas, Rio ou São Paulo), que dormiram na fila ou que conheciam toda a discografia de Beatles e de Paul McCartney. No segundo, estavam pessoas que preferiam conversar e que mal olhavam para o palco. “A gente vem aqui para ver o show e tem gente que acha que está na casa mãe Joana”, aborreceu-se a estudante Carla Leme, 23, de Olinda.
O Rock em Geral foi mais otimista:
Paul McCartney mostrou a simpatia de sempre, tentando falar em português, embora se mostrasse incomodado com o calor – cerca de 27oC.
(…)
Os shows de Paul no Recife – hoje ele repete a dose – estão movimentando a cidade, a ponto de todos os hotéis estarem lotados. Segundo a produção do show, quase metade dos bilhetes foram vendidos para os estados vizinhos à Pernambuco. Segundo o levantamento, o eixo Rio-São paulo teria colaborado com apenas 4% dos ingressos vendidos.
O G1 foi mais empolgadinho, com direito a informação de orgulho para o Estado.
De volta para o segundo bis, Paul carregava uma bandeira de Pernambuco, elevando o orgulho do público ao nível mais alto.
O Terra também foi positivo, mas é bom frisar que o colega Celso Calheiros, autor do texto, é pernambucano é um paulistano radicado em Pernambuco há bastante tempo.
Paul McCartney iniciou neste sábado, sua turnê no Brasil com o show On the Run. A apresentação cheia de efeitos de luz, som e uma generosa set list tornou ainda mais quente o Estádio do Arruda, que ficou lotado com cerca de 50 mil pessoas. Um público que vibrou, cantou, pulou e dançou com o eterno Beatle.
O que me levou a uma reflexão. Sou suspeito para opinar sobre a suposta apatia do público dita pelos textos da Folha e da RS por dois motivos: sou pernambucano e não vi o show. Iria dizer ainda que sou fã de Paul, mas quero acreditar que todas as pessoas que fizeram esses textos também são e isso não as impediu de colocar suas críticas.
Daí que acho bem possível que houvesse no show um monte de gente que caiu de para-quedas nessa Paulmania repentina que tomou conta do Recife, embora isso seja de praxe em qualquer lugar que o cara se apresente. Mas também há um outro aspecto: até que ponto a opinião de quem assistiu ao show foi influenciada por quem estava ao seu redor ou por uma pré-disposição de notar mais os problemas do que as qualidades do evento?
Não estou dizendo que foi o caso aqui, mas é uma reflexão válida. Por outro lado, críticas sempre ajudam a nos tirar do deslumbramento de fã. É um bom debate esse daí.
Vamos ver como vai ser o segundo show.

Primeiro foi Floripa. Agora o do Recife saiu de ontem para hoje. Quem conseguir traduzir o que ele fala na “tradução em português” para “21″ ganha um Campeonato Pernambucano vencido pelo Santa Cruz.

Essa eu vi no UOL Música. Peter Blake, o criador da capa do disco mais importante da história do rock, completou 80 anos em 2012. Para marcar tanto a efeméride quanto o Vintage Festival – um evento de artes britânicas desde a década de 20 até os anos 80 – ele fez essa versão 2.0 de seu trabalho mais famoso.
Alguns depoimentos do cara sobre isso:
“O que me deixa vagamente deprimido é que fiquei conhecido como ‘Peter Blake – que fez a capa de Sgt Pepper’, quando eu, na verdade, fiz muito mais. De vez em quando, eu esqueço disso, mas acabo sempre sendo lembrado”.
“Não possuo os direitos de imagem [da capa original do Peppers]. Em parte isso ocorreu porque cometemos um erro na ocasião. Eu e meu agente assinamos um acordo abrindo mão de quaisquer royalties ou copyrights. Por isso, pedimos permissão à Apple Corps –a empresa de gerenciamento dos Beatles–, mas eles não querem ser associados ao que consideram propaganda. É deprimente ainda não poder usar uma imagem que eu criei.”
Não tem a banda, mas ele deu um jeito de colocar Paul, Stella e Mary McCartney.
Segue aí o gabarito completo, cortesia do The Sun: 1 Amy Winehouse, 2 Sir Paul Smith, 3 Ian Curtis, 4 Nick Park, 5 Robin Day, 6 Lucienne Day, 7 Francis Bacon, 8 Roald Dahl, 9 Alfred Hitchcock, 10 Lucian Freud, 11 Kate Moss, 12 Paul Weller, 13 Sir Tom Stoppard, 14 Danny Boyle, 15 Sir Mick Jagger, 16 Fanny Cradock, 17 Mr Chow, 18 David Chipperfield, 19 Harold Pinter, 20 David Bailey, 21 Mary Quant, 22 Anish Kapoor, 23 JK Rowling, 24 JRR Tolkien, 25 Robyn Hitchcock, 26 Sir Terence Conran, 27 John Peel, 28 Martin Parr, 29 Sir Tim Berners-Lee, 30 John Hurt, 31 Rick Stein, 32 Sir Jonathan Ive, 33 Sir David Lean, 34 Sir David Attenborough, 35 Bridget Riley, 36 Sir Terence Rattigan, 37 Richard Curtis, 38 Tommy Steele, 39 Mark Hix, 40 Vidal Sassoon, 41 Sir Ridley Scott, 42 Justin De Villeneuve, 43 Lord Norman Foster, 44 Peter Saville, 45 Tracey Emin, 46 Sir Paul McCartney, 47 Gavin Turk, 48 Barbara Hulanicki, 49 Agatha Christie, 50 Delia Smith, 51 David Bowie, 52 Twiggy, 53 Audrey Hepburn, 54 Gary Oldman, 55 Damien Hirst, 56 Stella McCartney, 57 Mary McCartney, 58 Alexander McQueen, 59 Dame Vivienne Westwood, 60 Dame Helen Mirren, 61 Grayson Perry, 62 Wreckless Eric, 63 David Hockney, 64 Eric Clapton, 65 Ian Dury, 66 Sir Elton John, 67 Chris Corbin, 68 Jeremy King, 69 Dame Shirley Bassey, 70 Noel Gallagher, 71 Richard Rogers, 72 Elvis Costello, 73 Liberty Blake, 74 Chrissy Blake, 75 Sir Peter Blake, 76 Rose Blake, 77 Daisy Blake, 78 Monty Python foot, 79 Victoria Vintage

Ainda no assunto Paul McCartney, vi no Pitchfork que o homem está dando continuidade aos relançamentos de luxo de seu catálogo solo. Desta vez o agraciado é “Ram”, disco de 1971 que volta e meia aparece na lista de melhores trabalhos que ele já lançou. Esta reedição chega em diversos formatos – não vou traduzir, mas tá facinho de entender:
Standard Edition: 1 CD digipak Single disc, digitally remastered 12- track standard edition
Special Edition: 2 CD digipak Remastered album and 8-track bonus audio CD including rarities, b-sides and the hit single, ‘Another Day’.
Deluxe Edition Box Set: 4 CD/1 DVD box set & download Remastered album, bonus audio CD, remastered Mono album, Thrillington CD, bonus film DVD, 112 page book, 5 prints in vintage style photographic wallet, 8 full size facsimiles of Paul’s original handwritten lyric sheets and mini photographic book of outtakes from the original album cover photo shoot.
Hi-Res: 24bit 96kHz files of the remastered and bonus audio CD, accessed via a download code inserted on a card within the deluxe edition package
Vinyl: 2LP 180gm, gatefold vinyl with download Remastered album, bonus audio disc plus digital download of all 20 tracks
Limited Edition Mono Vinyl: 1LP, Remastered mono album
Digital: RAM will be available for download across a variation of digital configurations including Mastered for iTunes and High Resolution
E desde que vi a foto de John Lennon trollando a capa de “Ram” – no auge de seu rancor pós-Beatles – que não consigo dissociar da capa original.


Mantendo a tradição recente, Macca fez um vídeo “caseiro” para conclamar o público brasileiro a vê-lo tocar novamente no país.
O que será que ele vai dizer para o vídeo do Recife? Aliás, será que ele vai querer fazer outro vídeo só para a pernambucanidade?

Printei do site oficial dele pouco depois que começou a circular a notícia da confirmação das datas, locais e preços da terceira vinda de Macca ao Brasil em três anos. Já ajeitaram a grafia, mas francamente, achei que podia ter deixado errado mesmo… ficou meio naif, e ele pode.
Enfim, o serviço dos dois shows:
PAUL MCCARTNEY EM RECIFE
Quando: 21 de abril
Onde: Estádio José do Rego Maciel (Arruda)
Quanto: R$ 600 (pista premium), R$ 260 (gramado), R$ 340 (cadeiras), R$ 180 (arquibancada superior). Há meia entrada
Site para venda de ingressos: www.zetks.com.br
PAUL MCCARTNEY EM FLORIANÓPOLIS
Quando: 25 de abril
Onde: Estádio da Ressacada
Quanto: R$ 760 (gramado premium), R$ 350 (gramado), R$ 380 (cadeiras cobertas gold), R$ 280 (cadeiras descobertas). Há opção de meia-entrada, apenas para venda do público geral.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=NUs_dXXGs44]
Bom, a performance de Paul não foi lá muito original, tocando o medley final do “Abbey Road” bem acompanhado de Bruce Springsteen e David Grohl…
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=lN6Lv20qXhE]
A reunião dos Beach Boys ficou um pouco aquém do que eu esperava. “Good Vibrations” foi uma boa escolha, mas podiam ter tocado mais uma. Sobre as companhias no palco: ok pro Foster The People, mas Maroon 5 não deveria estar ali, apesar de eu ter perdido um pouco da birra com eles após “Moves Like Jagger”.
No mais, eu não vi, mas pelo que andei lendo foi aquela coisa de sempre, premiando gente já consagrada pelo público, com Adele levando todos os seis prêmios em que concorria. Normal.


E se quiser ver quem ganhou o quê e ainda rir com uns JPGs e GIFs engraçadinhos, vai lá no Papel Pop, de onde peguei esses de cima.
Obs.: Só lembrando que os vídeos que postei podem sair do ar quando você ler esse post; sacumé, a polícia dos direitos autorais e tal.

Envelhecer pode ser bom. Paul McCartney deve estar gostando de envelhecer, e não só porque é o artista vivo mais rico do mundo, mas porque está gerenciando muito bem sua terceira idade. Boa saúde, recém casado, com filhos e netos e agora se identificando cada vez mais com o que o pai gostava de ouvir com ele quando era menino. “Kisses on the Bottom” (“beijunda”, como diria Fábio Carbone) só tem duas músicas compostas por Paul, “My Valentine” e “Only Our Hearts”, mas não espere arroubos de rock ou baladas à la Beatles: todo o clima do álbum é de calmaria e contemplação, com mensagens simples sobre amor, andamentos lentos, climão Cole Porter e violinos. Se abstrairmos que é um “disco de Paul McCartney”, vale a ouvida para momentos de relax. Do contrário, pode rolar uma pequena decepção para quem está acostumado demais com “Jet” e “Hey Jude”.
Para ouvir: na NPR em streaming.







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