
Ou “tudo e um pouco mais que eu falei antes nos posts anteriores da retrospectiva, mas em tópicos”.
Evento pop do ano: a Copa do Mundo na África do Sul
Homem do ano: Julian Assange, jogando no ventilador da diplomacia mundial com o Wikileaks
Notícia Tela Quente do ano: a “Operação Superbope” no Rio
Perdendo-fé-na-humanidade do ano: os ataques homofóbicos em São Paulo, a xenofobia antinordestinos no Twitter e o caso Sakineh Ashtiani no Irã
Novela do ano: os 33 mineiros chilenos saindo do buraco
Político do ano: Tiririca e Marina Silva
Instrumento musical do ano: vuvuzela
Gol do ano: o voleio de Forlán em Uruguai x Alemanha
Bordão-meme do ano: “Ah muleque!” e “Jabulaaaaaniiiii”
Bicho do ano: polvo Paul
Revoltas do ano: viral dos meninos putos com Felipe Melo, Tulla Luana (“Colheita Feliz”) e a mineira contra a venda de ingressos do show do U2/Muse
Pé-frio do ano: Mick Jagger
Show do ano (ou “show pelo qual você esperou a vida inteira”): Paul McCartney em São Paulo
Disco do ano: “Travellers in Space and Time”, Apples in Stereo
Música do ano: “Hey Elevator”, Apples in Stereo, e “Fuck You”, de Cee-Lo Green
Clipe do ano: “Let’ em Shine Below”, Holger
Banda revelação do ano: Tame Impala
Festival cool do ano: Planeta Terra
Festival FAIL do ano: SWU
Viral web “vou-derreter-de-tanto-rir” do ano: “Busquem conhecimento”, ET Bilu, “Galvão Birds”, “Trololo”, novo erro de Vanusa ao vivo, “Morre Diabo” e ”Puta Falta de Sacanagem” do Restart
NSFW do ano: Aretuza
Autotune do ano: “Bed Intruder” e “Serra ♥ Dilma”
Filme do ano: “Tropa de Elite 2″, de José Padilha, e “A Rede Social”, de David Fincher
Blockbuster decepcionante do ano: “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton
Artista experimental do ano: Laerte crossdresser
Orgulho teen do ano: o Restart encarando as vaias no VMB como críticas construtivas
Orgulho cafuçu do ano: a professora Alexandra Aleixo, de MG, demitida porque tira a atenção dos alunos tarados com suas roupas curtas
Orgulho nerd do ano: o nerd no baile funk carioca e a garotinha que dança ao ouvir a abertura de “Star Trek”
Maria da Penha do ano: Dado Dolabella e o goleiro Bruno
Nhom do ano: o “Pânico na TV” pagando os 14 meses de aluguel do Senhor Barriga e o bebê Bob Marley
Globo FAIL do ano: nova censura a beijo gay em “Clandestinos”
Personalidade da TV do ano: Charles Henriquepedia
Humoristas do ano: Tatá Werneck e Dani Calabresa
Perdeu-a-graça do ano: Marcelo Adnet
Celebridade do ano: Silvio Santos, hay que falir pero sin perder la falta de noção jamas
Programa de TV aberta do ano: “CQC” – mas com várias ressalvas
Série de TV nova do ano: “The Walking Dead”
Despedidas tristes do ano: apesar dos pesares, “24 Horas” e “Lost”
Site do ano: Omelete
Blog do ano: Melhores do Mundo e Trabalho Sujo
Tumblr do ano: Daily What
Discussão construtiva do ano: a carta aberta a músicos na Scream & Yell
Rede social do ano: Twitter, ainda
Game do ano: “Epic Mickey” (obs.: decisão tomada apenas pelo que vi e li por aí)
Gadget do ano: iPad
Super-herói do ano: Hit Girl
Momento HQ mainstream do ano: Grant Morrison abrindo a primeira franquia de super-heróis da história (Batman Inc.)
Não-aguento-mais-megassagas-de-HQ do ano: “Brightest Day”
Hype transmídia do ano: Scott Pilgrim
Luto do ano: Glauco, Leslie Nielsen, José Saramago e Harvey Pekar
Gostosa do ano: Katy Perry, Larissa Riquelme e Mary Elizabeth Winstead
Baranga do ano: Gorete do “Pânico”
Freak de reality show do ano: Janaina Jacobina de “A Fazenda 3″
Que-falta-faz do ano: John Lennon
Pré-2011 do ano: Rock In Rio 4
Profundo e sutil como sempre. Do blog dos gêmeos.
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Falei que os uruguaios estavam orgulhosos da sua seleção, não falei? Então o que custa unir o útil ao agradável – assistir ao jogo enquanto começa o show, e faz disso uma música improvisada? Foi o que Drexler fez. Peguei o vídeo aqui.
Eu sei, eu sei, a Copa acabou. Mas é que não dava pra deixar passar essas.




Tudo via Freaking News.
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E a equipe do “Proteste Já” apanhou de novo. Eu falei da outra vez que não seria bom ficar mostrando essas celeumas e porradarias no “CQC”, mas mudei de ideia quando vi a matéria. Que raiva do sujeito cínico e covarde que só foi bater na equipe quando a acuou em uma sala, pra depois fugir e se isolar. E como disse Tas, o mais assustador é de vez em quando a gente se tocar que gente assim existe aos montes na política coronelista brasileira. Finalmente a cobertura da Copa acabou, e nem Cortez e Felipe aguentavam mais, fazendo as últimas matérias no piloto automático. Mas foi legal ver Cortez cumprindo a bizarra promessa de raspar o cabelo. Outro destaque foi o retorno triunfal de Maísa ao “Top Five”; espero que ela não vire arroz de festa do quadro de novo. Boas piadas com o caso do goleiro Bruno. E o inglês de Oscar, digno de Sabrina Sato? Programa legal, nota 8.





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E pra quem não aguenta mais esse assunto, eis a vingança:
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Tudo veio do Daily What, Copa que Interessa, 4chan, etc.

Para quem não sabe, estive no Uruguai nos últimos quatro dias. Não me pergunte como, mas apareceu uma oportunidade legal e relâmpago para conhecer o país. Só isso já seria motivo de festa, mas o que dizer de estar lá em um momento que a nação voltou a se orgulhar de seu futebol graças a uma trajetória surpreendente na Copa?
Pois no sábado lá estava eu e ela na Praça da Independência de Montevidéu, em uma ensolarada porém fria tarde de inverno, assistindo com os uruguaios a última partida da Celeste no Mundial da África do Sul, contra a poderosa Alemanha.

Mas antes do jogo em si, eu queria falar do que fui vendo antes. Como seria normal, bandeiras do Uruguai estampadas e estendidas por toda parte. Embora de forma discreta; acho que se o Brasil tivesse chegado à fase final como eles, haveria bem mais estardalhaço visual. Mas fiquei mais tocado mesmo pelas várias faixas dizendo “Gracias Celeste” ou “Gracias Uruguay”. O carinho e orgulho do público com a sua seleção era evidente. Forlan e Loco Abreu apareciam em posters dos jornais locais, Lugano em uma propaganda onipresente da Claro. Não importando o resultado da partida final, os caras já eram heróis nacionais.




Quando cheguei ao país, tive a impressão de uma homogeneidade étnica: pessoas de pele bem branca, cabelos negros e bem lisos e traços puxando mais para o físico europeu. No entanto, surgiram na praça homens mais rústicos, de pele mais morena e traços indígenas. Vi que minha impressão inicial só havia localizado a classe média do país; agora acho que estava entendendo melhor a distinção social ali. A maioria desses homens “pobres” pareciam estar ali apenas pelo jogo, e não se sentiam à vontade para enturmar com os “ricos”. Outros tinham um jeitão mais suspeito e poderiam ser ladroezinhos mesmo; de longe, chegamos a ver uma ocorrência de furto. Normal. Fiquei lá como ficaria em um lugar público lotado no Brasil: à vontade, mas “ligado”.





E aí veio o jogo. Que a essa altura, vocês sabem o que aconteceu. Gol da Alemanha, Cavani empata, Forlán vira com o gol mais bonito da Copa (e foi mal, mas foi sem mão, hein, Luís Fabiano?) e que deve ter colaborado substancialmente para que o elegessem o melhor jogador do Mundial 2010, com louvor. A praça vibra de alegria.
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Mas daí os alemães viraram de novo, com aquele jeito alemão de ser: faz o gol e só ergue o braço, sem muita euforia.
O Uruguai perdeu a partida e terminou a Copa 2010 em quarto lugar. Uma pena para os uruguaios e para mim. Acreditei que eles poderiam vencer o relógio germânico. Mas como falei lá no alto, o resultado não afetou o orgulho para com a Celeste. Assim que acabou, o público da praça debandou em linha reta pelo centro, na avenida 18 de Julho; meio sereno a princípio, mas pouco a pouco a alegria pela bela campanha do time falou mais alto.



E no finzinho de tarde/início da noite, cantaram na avenida. “Ole ole ole ole ole ole ola / ole ole ole cada dia te quiero mas / yo soy celeste / es un sentimiento / no puedo parar”.

Não achei vídeo deste momento da foto acima, mas a música era esta:
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E aí caiu de novo a ficha do que eu já tinha dito aqui antes. As cinco Copas conquistadas pelo Brasil estão fazendo nosso país perder a alegria e o desprendimento pelo esporte. E não tô falando só dos jogadores, da imprensa e da CBF. Bota o público aí nessa conta. Exigimos da seleção só o melhor, e exigimos tanto que volta e meia ficamos sem nada. Aliás, nada não: ficamos com o rancor.

Temos mais é que aprender com nossos humildes vizinhos uruguaios – os campeões morais de 2010 – que o sol também se levanta.
Taí, acabou.
Poucos eventos de interesse geral são mais incríveis de acompanhar do que uma Copa do Mundo. No âmbito esportivo, acho que é inigualável, batendo as Olimpíadas de longe. E é evidente que vai muito além do esporte: a Copa é um evento cultural, político, econômico, sensacionalista, de grande apelo estético, uma exaltação ao corpo (masculino em campo, feminino nas arquibancadas).
Mas o cerne desse furacão de pluralidades sempre será o futebol, jogo que gosto de definir como a batalha dos gladiadores dos tempos contemporâneos. Homens entram em um campo cercado de multidões para correr, chutar e golpear o inimigo com o gol, embora pancadas de verdade, voluntárias ou não, requentam e aumentam a dramaticidade da coisa.
Aliado à cruel formatação da tabela que vai eliminando perdedores, torna-se enfim um caldeirão apimentado de grandes histórias. É por isso que não existe Copa ruim. Quem diz isso luta contra o óbvio. É quase como dizer que não existe lua no céu ou que as pessoas nascem trazidas pelas cegonhas.
Mas entendo, obviamente, que uma “Copa ruim” só pode ser chamada dessa forma se comparada às suas iguais, isto é, a outras Copas. Daí indo por esse lado, o que achar dessa de 2010?
Primeiro, o futebol. Nesse aspecto ficou devendo um pouco, principalmente as potências Brasil, Argentina, Itália e Inglaterra. Nem ponho a França na conta porque desde o primeiro jogo via-se que o gol de mão de Henry nas eliminatórias não foi apenas uma casualidade negativa. Mas o futebol ruim, de modo geral, poderia até ser culpa da Jabulani ou os inúmeros desfalques e contusões. Poderia, mas… hm, não. O baixo nível técnico foi evidente, pra não dizer gritante. Por isso foi sintomático que a Holanda tenha chegado tão longe à moda argentina, no mau sentido: cometendo muita falta e fazendo muito teatro.
Por outro lado, só o fato da Holanda e da Espanha terem protagonizado a primeira final da história sem os quatro grandes – Brasil, Argentina, Itália e Alemanha – já é um motivo para festejar, apesar de terem levado tudo num joguinho mixuruca. Mas tiro mesmo meu chapéu para Alemanha e Uruguai. A primeira fez o que faz em quase toda Copa: nível técnico fenomenal e certeiro como um relógio, a ponto de parecerem robôs kraftwerkianos jogando – mas pelo menos trouxe um pouco mais de velocidade e improviso do que o seu normal, principalmente pelos pés de Klose e Podolski. Já o Uruguai, anos longe da ribalta da bola, voltou e representou o futebol sul-americano de forma linda, com garra e coração. A disputa do terceiro lugar foi de longe mais emblemática que a final.
No mais, não faltou assunto na Copa no aspecto espetáculo: teve jornalista espanhola acusada de distrair o namorado goleirão, mas acabando em final feliz; modelo paraguaia pagando mamilo “pelo amor à seleção” e fazendo promessa de mentirinha como desculpa para obter contratos em ensaios sensuais; a Jabulani em si, que parecia bola de supermercado mesmo e fez Cidão Moreira tirar onda com o vozeirão, o pé frio de Mick Jagger que virou outro bordão engraçado by Cid…
O zumbido insuportável das vuvuzelas; Dunga peitando bonito a Globo, mesmo que tenha sido pelo gancho errado; a revolta inocente do menino Salomão, o Cala a Boca Galvão, a Bavaria fazendo propaganda de guerrilha na base da ladroagem e ao custo da liberdade de algumas holandesas gatinhas… e o que dizer de um polvo vidente que é o rei do bolão?
Vou parar por aqui, sabe? Senão vou continuar nesse assunto nonstop até 2014. Mas voltando à pergunta, para mim ficou bem claro que esta foi uma Copa muito legal de acompanhar. Não sei se a melhor dos últimos tempos, pois é páreo duro contra 1994 e 2002, mas foi sensacional com certeza. O problema é ter que encarar a realidade nos dizendo que o próximo grande tema do ano serão as eleições…
Imagem tirada daqui.
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Sem música hoje. Dessa vez é só amor sem intermediários.
Mas que ela ficou sem graça, ficou… hehe.
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É, tá acabando… que triste.
Boa sorte para os quatro times. O Brasil e 2014 são logo ali.
Bom fim de semana a todos.






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