
Primeiro, o protesto de Elisa Gargiulo, da banda Dominatrix, em meio a uma manifestação antiaborto.
Depois, a bancada evangélica brincando de Show de Calouros gospel no Congresso Nacional:
No primeiro vídeo, pergunto a mim mesmo se expor opinião divergente dentro de uma manifestação pública é democracia, provocação, sabotagem ou tudo isso junto… e se é mesmo necessário para que haja debate em vez de mera exposição descerebrada de ideias. Além disso, e se fosse o contrário, como os esquerdistas liberais reagiriam ao cartaz de algum pastor reafirmando seus valores? Sim, porque fora o muro de cartazes que circundaram a menina – uma reação legítima, apesar de numericamente injusta – até que não houve nada mais grave ali…
Quanto à moça pregando e cantando no Congresso, logo me veio a cabeça clichês como “que absurdo”, “o Estado é laico”, “é assim que eles gastam nossos impostos, etc”, mas pensando bem, e o grande Eduardo Suplicy vez ou outra cantando Bob Dylan, como fica? E olhe que sou fã de ambos.
E você, o que acha disso tudo?
* Vídeos indicados por Luiz Pattoli e Márvio dos Anjos

“O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) é uma sociedade civil, de natureza privada, instituída pela Lei Federal nº 5.988/73 e mantida pela atual Lei de Direitos Autorais brasileira – 9.610/98″. Se você não entendeu, eu tampouco. Essa definição, tirada do site da instituição e recheada de palavreado técnico, resume bem essa que é a maior assombração da indústria musical brasileira, que redigiu nos últimos dias mais dois capítulos de sua atabalhoada carreira.
No final de fevereiro, uma reportagem do “O Globo” mostrou o caso dos noivos que, após pagarem ao ECAD por músicas tocadas pelo DJ de seu casamento, processaram o escritório para pedir ressarcimento dos gastos, uma vez que uma cerimônia desse tipo não visa lucro. Depois foi a vez do ECAD procurar o blog Caligrafitti para cobrar pela exibição de vídeos embedados no YouTube (leia o Câmara em Pauta para saber mais sobre isso), mesmo que o Google já pague à entidade pelo conteúdo postado no portal de vídeos.
Com seus métodos arcaicos e intimidadores e avesso ao debate sobre direito autoral na cultura digital, o ECAD é considerado por grande parte do mercado musical como um fantasma da ditadura militar – surgiu em 1973, como diz a lei que o criou – de motivações e métodos misteriosos, além de benefícios suspeitos. Pois é mais fácil achar um político do PT fã do general Médici do que um músico que recebeu dividendos por suas obras via ECAD.
A reação da imprensa e das redes sociais contra essas recentes trapalhadas gerou um “mea culpa” igualmente destrambelhado. Na nota, a entidade diz assim: “As mídias digitais representam uma nova possibilidade de recebimento de direitos autorais pelos titulares desses direitos, todavia os modelos de negócio do segmento são muito dinâmicos e por isso ensejam constantes análises. Desde 29 de fevereiro, as cobranças de webcasting estão sendo reavaliadas. O fato que vem sendo noticiado aconteceu antes dessa data” [os negritos são deles].
Há algum tempo fala-se em extinguir ou remodelar completamente o órgão, mas a discussão segue emperrada por forças dentro do setor cultural próximas à contestada ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Enquanto isso não acontece, não custa nada dar uma “forcinha” ao ECAD divulgando e rebatendo todas essas tentativas deles tentarem ultrapassar seu próprio recorde de falta de senso do ridículo.
* A sagaz tira acima é de Arnaldo Branco. Por favor, não quero ser processado pelo ECAD pois estou dando todos os créditos das fontes desse texto.

Na tentativa de entender porque os novos shows de Bob Dylan no Brasil estão cobrando de R$ 100 a R$ 900 nos ingressos, encontrei esse texto de Marco Antônio Barbosa, que inventou o conveniente IPISBD – Índice do Preço do Ingresso para o Show do Bob Dylan.
Uma olhada nos preços do último show que Bob fez no Rio permite constatar que a inflação medida pelo IPISBD chega a estonteantes 233,33%. Isso se compararmos o ingresso mais barato de 2008 (R$ 150) com o atual. Comparando o preço mais caro de 2008 (R$ 360) com o mais caro de 2012 (R$ 800), chegamos uma variação de 122,22%. O aumento percentual médio foi de 177,77%. (….) A inflação oficial desde 2008 foi de 16,33%, ou seja, a inflação no ingresso do Bob Dylan foi, no mínimo, ONZE VEZES maior que a inflação brasileira no mesmo período. (…) Esse sim é o verdadeiro custo Brasil: a vocação para a malandragem (do lado de quem produz o evento) e a vocação para ser otário (do lado de quem paga caro).
É evidente que eu também compartilho da mesma indignação do amigo, mas a análise econômica não está me bastando. Precisamos trazer novos e velhos elementos a essa discussão.
A julgar pelas pistas que apresentei neste post, Bob Dylan parece sentir o peso de seus 70 anos nas suas recentes apresentações. Canta uma média de 15 canções por show, alternando entre alguns classicos e outras mais recentes. Sua voz está cada vez mais rouca. Também não espere um showman como Paul McCartney, outro setentão (completa as sete décadas neste ano) mas cuja impressionante vitalidade e simpatia são mais exceções do que regras. Aliás, mesmo quando era mais jovem Dylan nunca foi referência nesses dois aspectos. Então não me surpreenderia se os preços altos não sejam também reflexo de seu cachê alto.
Porém, eu e outros brasileiros da minha geração fomos musicalmente educados sob o seguinte mantra: se você tem condições físicas, psicológicas e financeiras para ver um ídolo se apresentar ao vivo, veja. Os motivos para isso podem ser objetivos – o sr. Zimmerman está velho e pode morrer a qualquer momento; ou pode nunca mais se dispor a tocar no Brasil – ou subjetivos – porque estar no mesmo ambiente que uma lenda do rock já desperta o devoto que há em você; porque você quer ouvir “Ballad of a Thin Man” ao vivo antes de morrer…
O que quero dizer com isso tudo? Basicamente voltei a um tema recorrente neste blog: quanto vale ver seu ídolo ao vivo? Só de graça? O preço de dois discos dele, como era há uns 25 anos? Uma viagem de ida e volta de sua cidade natal e ainda o equivalente a um notebook ou três feiras do mês? E o esforço de agendar folgas, remexer na agenda, tá tranquilo?
As respostas não estão soprando no vento, mas em um debate sério e responsável sobre o cada vez mais irresponsável cartel de shows internacionais. Que ouça e compare os pontos de vista de todas as partes interessadas: casas de shows, serviços de ingressos, artistas, público e Estado. Quem vai tomar o primeiro passo?

Começaram a vender hoje os ingressos do sujeito e estou num dilema… pra ter uma ideia melhor, fui ver no Setlist.fm como foram alguns shows recentes dele.
HMV Hammersmith Apollo, Londres, em 21/11/2011:
Leopard-Skin Pill-Box Hat
It’s All Over Now, Baby Blue
Things Have Changed
Spirit On The Water
Honest With Me
Forgetful Heart
The Levee’s Gonna Break
Man In The Long Black Coat
Highway 61 Revisited
Desolation Row
Thunder On The Mountain
Ballad Of A Thin Man
Bis:
All Along The Watchtower
Like A Rolling Stone
Forever Young
HMV Hammersmith Apollo, Londres, em 20/11/2011:
Leopard-Skin Pill-Box Hat
It’s All Over Now, Baby Blue
Things Have Changed
Tryin’ To Get To Heaven
Honest With Me
Tangled Up In Blue
Summer Days
Blind Willie McTell
Highway 61 Revisited
Desolation Row
Thunder On The Mountain
Ballad Of A Thin Man
Bis:
All Along The Watchtower
Like A Rolling Stone
Hallenstadion, Zurique, Suíça, em 16/11/2011
Leopard-Skin Pill-Box Hat
It Ain’t Me, Babe
Things Have Changed
Mississippi
Honest With Me
Not Dark Yet
Jolene
Man In The Long Black Coat
Highway 61 Revisited
A Hard Rain’s A-Gonna Fall
Thunder On The Mountain
Ballad Of A Thin Man
All Along The Watchtower
Like A Rolling Stone
Blowin’ In The Wind
Tirando esse último, achei que tá pirangando música – e tem pouco clássico – em cada show. Beleza, as músicas deles são longas, e o que importa no fim das contas é a performance.
Só que fui ver umas no YouTube…
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=kCyzAFcjk_0]
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ZQ0Jn35Y03c]
Cadê o pouco de voz que ele ainda tinha? Daí você lembra que o ingresso tá muito caro, alguns na casa dos R$ 900… olha, tá difícil.



Um dia micado traduzido em uma foto. Tem mais aqui.

E essa agora?
Minutes before the ball dropped on 2011, singer Cee-Lo Green sang John Lennon’s classic song, Imagine. The problem is that Green changed the words in a very disrespectful way.
The line in Lennon’s classic song imagines, “And no religion too,” but Green sung, “And all religions true.” This is the exact opposite of what John Lennon meant in his song. Lennon believed that organized religion was dangerous and divisive so a better world would not have any religion.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=0pRwSMUNMI0]
De uma vez virou pastor e adulterador de clássicos. Shame on you, Cee-lo…. Via Examiner.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=qbo0We4qAQY]
Todo ano a IBM faz esse chute de cinco tecnologias que tornarão realidade daqui a cinco anos. As desse ano são:
* Lixo eletrônico vai se tornar o correio prioritário. Em cinco anos, as propagandas não solicitadas pode se mostrar tão personalizadas e relevantes que poderão matar o spam.
* A exclusão digital deixará de existir. Em nossa sociedade global, o crescimento ea riqueza das economias são decididos pelo nível de acesso à informação.
* Leitura da mente não é mais ficção científica. Cientistas da IBM estão pesquisando como ligar o seu cérebro para os seus dispositivos, tais como um computador ou um smartphone.
* Você nunca vai precisar de uma senha novamente. Sua composição biológica (leitura de íris, por exemplo) é a chave para a sua identidade individual, e logo, ela se tornará a chave para salvaguardá-la.
* Você será capaz de alimentar a sua casa com a energia que você mesmo cria. Avanços na tecnologia de energia renovável vai permitir aos indivíduos e aos cientistas coletar esta energia criada e usá-la para poder ajudar nossas casas, locais de trabalho e cidades.
Vocês sabiam que “IBM” são as letras que sucedem “HAL”, o computador de “2001 Uma Odisséia no Espaço”?


















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