
O produtor norte-americano Jonathan Taplin veio ao Brasil para a feira RioContentMarket, realizada pela Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão. A Folha entrevistou o cara, que já foi produtor de shows de Bob Dylan, do Concert for Bangladesh de George Harrison e dos filmes “Caminhos Perigosos” e “O Último Concerto de Rock”, de Martin Scorsese. Algumas das frases dele foram bem diretas e esclarecedoras sobre a arte e cultura na era digital.
Subi [de cargos] até trabalhar com Bob [Dylan]. O que era excitante era que a música era tão intrínseca à cultura. Era tudo! O movimento de Andy Warhol, os direitos civis. Tudo se misturava à música. E a música ajudou a transformar tudo. Estava sempre na linha de frente da revolução.
Nesse sentido, era bem diferente de hoje, quando a música é entretenimento, não faz parte das mudanças de verdade.
Por que acha que isso aconteceu?
As pessoas ficaram acomodadas. Nos EUA, ficaram gordas e petulantes. É o que acontece quando você tem 500 canais de entretenimento à disposição. É fácil apenas se desligar do mundo, ficar passivo, fora das ruas.E como antigos ícones, como o próprio Bob, lidaram com essa realidade “gorda e petulante”?
Infelizmente, eles apenas se adaptaram. Agora, Bob sai por aí cantando suas velhas músicas. Faz isso muito bem, mas não é a mesma coisa.(…)
Você acha que Bono é o novo George [Harrison, na questão do ativismo musical]?
Não, não! Gosto de Bono, da sua música, mas acho que ele gosta de estar perto demais das pessoas poderosas. Ele prefere ir a Davos [para o Fórum Econômico] do que a ‘Santo Alegre’ [Porto Alegre, na verdade, para o Fórum Social Mundial].Mas algum artista se engaja hoje?
Ocasionalmente, os de hip-hop. Jay-Z, de vez em quando, faz algo político. Mas acho que muitos hip-hop são sobre quantos carros eu tenho e quanto champanhe eu tomo.
Concordo com tanta coisa que nem sei o que acrescentar. Acho engraçada a coincidência desse cara vir aqui falar disso justamente em um momento onde estamos prestes a receber novos shows de Bob Dylan nas condições nefastas que o atual mercado de entretenimento pode nos oferecer, com preços altíssimos e complicações burocráticas com empresas terceirizadas de ingressos. Valeria muito a pena um debate entre esses dois, desde que Taplin não dourasse a pílula só porque Dylan é amigão dele.

Ano fraco de filmes tanto no mainstream quanto no alternativo. O óbvio aconteceu, com o final de “Harry Potter” e o terceiro “Transformers” passando da casa do bilhão de arrecadação, além de um bom desempenho do quarto “Piratas do Caribe”. Mas este também foi um ano em que nenhum filme de super-herói da Marvel ou da DC alcançou o top 10 mundial – que nem em 2009, ano de “Wolverine” e “Watchmen”.
Os dois únicos blockbusters que me instigaram foram os que menos se esparava algo de bom: “X-Men: Primeira Classe” e “Planeta dos Macacos: A Origem”. O quinto longa da cinessérie mutante fez uma aposta ousada ao tirar o Wolverine, rejuvenescer Magneto e Xavier e ambientar tudo nos anos 60, remetendo à real origem do grupo – e ao clima de Guerra Fria – nas HQs. Já a macacada também surpreendeu ao explorar a gênese do primeiro símio inteligente e resgatar a metáfora social engajada da série. E é curioso fazer o paralelo com os dois anti-heróis desses filmes: César é Magneto com pelos.
Também foi mais um ano do declínio do star system reinante nos anos 90. “Larry Crowne”, com Julia Roberts e Tom Hanks, levou uma lavada na bilheteria dos robôs de Michael Bay, fato impensável há alguns anos. Talvez seja o último ano de um filme que traga Tom Cruise como protagonista e obteve boa bilheteria (Missão Impossível: Protocolo Fantasma).
Na ala “respeitável”, Almodóvar marcou um belo gol com o terror psicológico “A Pele Que Habito”; em Cannes, Lars Von Trier estragou a divulgação de um seus melhores filmes, “Melancolia”, com umas asneiras sobre Hitler; também em Cannes, “A Árvore da Vida” de Terrance Malick levou a Palma de Ouro (bom filme, mas “Melancolia” é melhor); Woody Allen caiu de novo com o bobinho “Meia-Noite em Paris”; Scorsese revisitou bem a carreira de George Harrison; e Darren Aronofsky e David Fincher foram tapeados pelos Weinstein no Oscar, com o esquecível “O Discurso do Rei” passando a perna em “Cisne Negro” e “A Rede Social”.
Dentre as decepções e micos, acho que foram justamente para os demais filmes de heróis – “Lanterna Verde” e “Besouro Verde” foram bombas, “Thor” e “Capitão América” apenas medianos – e o “muito barulho por nada” de “A Serbian Film”, que teve um lançamento no país atropelado por liminares antipedofilia.
Os 10 melhores filmes de 2011
* Melancolia
* X-Men: Primeira Classe
* Super 8
* O Palhaço
* Cisne Negro
* Planeta dos Macacos – A Origem
* George Harrison: Living in the Material World
* Drive
* A Pele Que Habito
* A Árvore da Vida
Os 10 piores, mais decepcionantes ou micados filmes de 2011
* Transformers 3 – O Lado Oculto da Lua
* Um Lugar Qualquer
* Lanterna Verde
* Sucker Punch
* Capitão América
* A Serbian Film
* Thor
* Se Beber Não Case 2
* Meia-Noite em Paris
* O Discurso do Rei
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Uma das músicas que mais traduzem George Harrison para fechar. E é isso. Claro que faltou muita coisa, mas a vida segue.
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