Encerro a retrospectiva 2011 deste blog com uma revisão acerca da atuação do próprio blog ao longo do ano. Assunto que provavelmente interessa muito a mim e pouco a vocês – afinal, você que está lendo isso só vem aqui para se informar e divertir um pouco. Mas fica aqui como um misto de prestação de contas com sessão de terapia em aberto.
Constatei que produzi muito por um lado e pouco por outro. A quantidade de posts aumentou bastante, mas a produção própria com artigos, críticas, entrevistas e reportagens ficou aquém do que eu previa. O ponto positivo é que mais posts implicaram em ampliação da miríade de assuntos cobertos por aqui, e ainda assim eu lamento por não ter acompanhado muita coisa no calor da emoção ou com a atenção necessária.
Para se ter uma ideia, o assunto musical de dezembro, o “Abrafingate”, só foi citado pela primeira vez no blog na retrospectiva. Fora assuntos que nem mesmo entraram, como o tal novo disco “moderno” de Gal Costa. Mas não custa lembrar que o blog não é uma fonte de renda e por isso não pode ocupar a maior parte do meu tempo útil, daí esses lapsos acontecem.
Mas chega de reclamar. Tivemos aí alguns poucos e bons acertos, como as três entrevistas com os quadrinistas gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá; com um dos dubladores do novo desenho do Pernalonga, Bob Bergen; e com o guitarrista Rodrigo Lemos, d’A Banda Mais Bonita da Cidade. Outro bom momento foi meu longo artigo sobre os motivos que têm levado os zumbis a se tornar um sucesso e ao mesmo tempo na grande metáfora pop desses tempos
tão desesperados que estamos vivendo.
E claro, foi o ano em que caprichei um pouco mais na quantidade de críticas de discos e filmes. Do Foo Fighters a PJ Harvey, de Transformers aos filmes do Oscar. Ainda é pouco se compararmos com outros blogs e sites mais tarimbados, mas estamos progredindo.
A audiência do blog teve picos em julho, quando todo mundo googlava sobre Amy Winehouse e dois posts antigos com o nome dela foram incrivelmente acessados, e em outubro, quando a MTV Brasil completa aniversário e novamente posts antigos sobre a emissora foram bem procurados.
E você, o que tem a dizer sobre o Quadrisônico em 2011?
Na foto acima: o show do Primal Scream em São Paulo, meu momento pop favorito do ano
P.S.: A retrospectiva acabou, mas talvez eu poste mais aqui por esses dias. Ou não. Stay tuned.

Quando as duas notícias mais importantes de 2011, no âmbito da televisão, foram o surto de Charlie Sheen e o “eu comeria ela e o bebê” de Rafinha Bastos, só dá para concluir uma coisa: sinal dos tempos.
Em um ano em que cada vez menos gente assistiu à TV no modelo antigo sentar-e-acompanhar-a-programação e que a Netflix finalmente aportou no Brasil (de forma capenga, mas aportou), a queda de qualidade das TVs abertas e a cabo já superou o status de “realidade” para se tornar “caso perdido”.
Mas este não vai ser um texto para reclamar dessa tendência que já dura anos e deve durar uns anos ainda. Mas é evidente que tal tendência é fator preponderante para os casos específicos dos últimos doze meses.
“Two and a Half Men” perdeu Charlie “loki winning” Sheen, e entre a decisão triste porém digna (acabar com o programa) e a sacana porém ainda lucrativa (substituir Sheen), a CBS optou pela segunda, ao despertar a ira dos fãs de longa data com Ashton Kutcher como alternativa. Rendeu alguns picos de audiência, mas some-se a lacuna “impreenchível” de Sheen e o fato de ser uma série bem antiga, e concluímos que dificilmente passe de 2012.
As outras séries gringas continuam na pasmaceira; o fenômeno de 2010 “Walking Dead” deu uma pioradinha na segunda temporada, o novo J.J. Abrams “Person of Interest” ainda não disse a que veio, e nenhuma das demais séries novas se mostraram imprescindíveis. “Lost” ainda deixa saudades…
Já no Brasil, a grande má notícia foi a decadência do ex-melhor programa do país, o “CQC”. Falar que a conturbada saída de Rafinha Bastos e a despedida de Danilo Gentili tiveram a ver com isso é chover no molhado, mas o principal fator, a meu ver, é o desgaste natural da fórmula. Já os demais programas de humor seguem caídos – sim, “Pânico”, estou falando com você, pois os outros eu nem levo em conta. E talvez essa falta de graça tenha ajudado a causar a overdose de críticas a piadas politicamente incorretas na TV brasileira em 2011.
Mas nem tudo é má notícia. Na gringa, o talk show de Jimmy Fallon vem se mostrando um excelente agitador musical, com boas bandas indies tocando por lá. A quarta temporada da série veterana “Fringe” está sensacional, dizem (não cheguei lá ainda, estou vendo a primeira). E o novo “Thundercats”, quem diria, é bem interessante e trouxe inovações boas ao desenho original.
No Brasil, em meio a “Tapas e Beijos”, Patrícia Poeta no “Jornal Nacional”, a eterna Luciana Gimenez e outras infinitas bobagens, ainda há uma luz ao fim do túnel: ninguém menos que o octagenário Silvio Santos, que sozinho diverte e faz mais graça que todos os programas de humor juntos.
Também vale menção honrosa a programação geral da MTV em 2011, que com o “Goo”, “Na Brasa”, “Grampo”, “Mod” e “Furo”, voltou a priorizar música, bom conteúdo e humor ousado, além de nos brindar com as melhores humoristas da TV atual: Dani Calabresa e Tatá Werneck. Veremos quanto tempo isso vai durar.
Top notícias de TV em 2011:
* Charlie Sheen saindo barraqueiramente de “Two and a Half Men”
* “Walking Dead” fail
* A frustrante série nova de J.J. Abrams, “Person of Interest”
* Thundercats novo
* “Fim” do CQC
* Netflix no Brasil
* Jimmy Fallon e seu talk show indie
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Aproveita enquanto não tiram do ar.
O que achei: bom, considerando que essa iniciativa da MTV na teoria é a coisa mais anacrônica dos últimos tempos, até que se saíram muito bem. Beavis e Butt-Head são uma paródia do adolescente americano que só ouve rock pesado e, cercado por uma vida besta e por pessoas unidimensionais, acabam transformando sem querer suas vidas em verdadeiras nulidades. Caíram como uma luva no início dos anos 90, isto é, auge do grunge, George Bush pai era presidente e os astros emergentes do cinema de então eram Johnny Depp e Winona Ryder, elevados a ícones da tal geração X.
Mas pensando bem… agora em 2011 as coisas estão tão diferentes? O rock pesado se tornou ainda mais jurássico e nem indústria do disco existe mais, ok. Mas creio que os EUA e o mundo, cada vez mais afundados em crises econômicas e morais, estão mesmo precisando de dois profetas do apocalipse que vejam e digam as coisas como elas são. Dois dos melhores diálogos desse novo desenho deles são de uma inteligência ímpar. “Como pais deixam seu filho de um ano e meio participarem disso?”, diz Butt-Head sobre a criança assustada no clipe de “Kids” do MGMT. Já Beavis, ao ouvir uma participante de “Jersey Shore” referir-se aos seus hipotéticos filhos como “bitch”, retruca na lata: “Ela vai chamar os netos dela de ‘bitch’ também?”.
Isso porque eu nem falei da tiração de onda com a “Saga Crepúsculo”, que abre o desenho. Não dizem nada que já não soubéssemos, mas ver essas opiniões na grande mídia com as palavras que eles usam é recompensador.
E só como mais um sinal de quanto eles ainda são necessários, estão querendo até tirar o AC/DC e Metallica das camisetas deles. Bandas “antigas”, entende?
Sinceramente? Acho que vale muito acompanhar essa dupla de novo. Eles ainda têm muito a dizer nas entrelinhas de seus “he he he he”.

Durante os intervalos comerciais houveram comentários pouco inspirados de clipes – sendo que o mais engraçado é da única música boa do MGMT (“Kids”), e sobre duas séries da MTV: True Life e Jersey Shore. Isso infelizmente pode representar um futuro meio amargo para o desenho se os episódios não forem realmente épicos. Por quê? Simples. Antes o desenho girava em torno dos dois e de seus comentários sobre os videoclipes – a conqueluche da emissora nos anos 90 – e era bem fácil qualquer pessoa zapear pelo canal, ouvir a música, parar para ver o clipe e descobrir que era o desenho. Ou seja, usando apenas os realities da casa, acho bem difícil que consiga fazer com que um novo público, tirando os fãs dessas séries, se interesse pelo humor nada correto de Beavis & Butt-Head.
Para um primeiro episódio que precisava se reaproximar dos antigos fãs e conquistar novos, Beavis & Butt-Head voltou detonando. Só faltou o Cornolio para tornar inesquecível, mas pelos vídeos que rolaram antes da estreia, esse queridão voltará para nossas casas em breve.
Depoimento de Felippe Cordeiro do Judão sobre o “aguardado” retorno (ninguém pediu, mas todo mundo se animou com a volta) da dupla mais demente dos desenhos animados dos anos 90.
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Falei rapidinho com ele ontem sobre essa experiência louca do VMB; para quem não viu, eram três palcos tocando a mesma canção simultaneamente, em um experimento aparentemente inédito no Brasil. O evento reuniu 27 atrações musicais (300 músicos no total).
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O último VMB trouxe “várias mesmas coisas de sempre”, como celebridades chamando indicados a prêmios sem a menor naturalidade, piadas ensaiadas que não colaram, uma overdose de publicidade descarada e atrações musicais de total irrelevância. Mas percebi que alguém da MTV já percebeu e sintetizou o que deverá ser o ano de 2011 na música brasileira.
Para começar, o mais óbvio: o rock nacional entrou novamente em um período de falência. Quando digo isso não quero dizer que não existam mais boas bandas em atividade, mas ocorre duas coisas. A primeira é que as bandas não alcançam mais o grande público e seguindo a tendência mundial, estão transformando o gênero em um “novo jazz”, para ser consumido por um público supostamente “classe A”: mais velho, com mais independência financeira (não necessariamente “rico”) e metido a sofisticado.
A outra coisa envolvendo o rock brasileiro, e isso eu só sinto aqui por enquanto, é uma real estagnação criativa na qual temos muitas bandas fracas e medianas. Já as boas seguram as pontas como podem, mas elas pararam de formar cenas. Grupos de Pernambuco (a última grande cena brasileira?) lançaram há pouco tempo vários discos novos ao mesmo tempo, mas não existe unidade. Karina Buhr disse: “Quando Chico [Science] morreu [em 1997], deu uma tristeza geral que abalou a festa e cada um foi para seu canto, fazer seu trabalho só.” Essa não-cena que existe hoje talvez tenha seu lado bom, pois dificulta a construção de estereótipos estéticos. O lado ruim é essa pulverização, que não atrai grandes atenções.
E o que o VMB fez? Foi atrás de outros gêneros que estão crescendo debaixo de nossos olhos. O novo hip hop brasileiro capitaneado por Criolo, Emicida e Lurdez da Luz é exemplar: é mais bem produzido e transparece mais background cultural que suas gerações anteriores. Acho que é o mais perto de uma cena musical que temos hoje no país. Mas temos ainda o tecnobrega de Gaby Amarantos e Uó – essa última é mais uma “banda engraçada” da vez, pupilos de Montage e Bonde do Rolê, mas é bom ficar atento a eles de qualquer forma, nem que seja por estes 15 minutos.
Gente com raízes rock não está interessada em rock ortodoxo, como Marcelo Camelo, Marcelo Jeneci e Mallu Magalhães. E temos ainda os mais preocupados em fazer uma MPB com cara de pop francês – como bem definiu Lúcio Ribeiro – reprsentados principalmente pelos Novos Paulistas: Thiago Pethit, Tiê, Tulipa Ruiz e outros – os únicos da safra que não foram convidados para o VMB 2011.
Então é este o panorama da música pop brasileira deste ano? A moral da história seria não esperar nada do centro, mas ouvir a periferia que está bem viva? O futuro está incerto e bem interessante de acompanhar.

É normal quase todo mundo reclamar dessas premiações, já que isso virou meio que um esporte do mau humor, mas da minha parte, fiquei mais satisfeito que nos outros anos. Em um ano em que o rock brasileiro praticamente não aconteceu, foi natural o novo hip hop brasileiro, capitaneado por Criolo e Emicida, aproveitar o vácuo e sacramentar ambos como os grandes nomes da música brasileira em 2011. E é claro que isso só foi possível por conta da mudança de votação, transferida em grande parte do público para uma comissão julgadora (supostamente) especializada. Ainda tiveram uma ou outra coisa esquisita (umas tais de CW7 e Tono ganhando prêmios), mas acontece nas melhores premiações.
Ah, belo momento Caetano e Criolo cantando “Não Existe Amor em SP”, uma das prováveis maiores músicas de 2011. Só não curti a postura meio tímida meio blasé de Criolo ao receber o prêmio e nas entrevistas. Custava transparecer um pouco de felicidade?
O VMB segue refletindo a tendência geral da MTV e está cada vez mais obcecado pelas experimentações da internet; daqui a uns anos não estranharia se mudasse para Video Meme Brasil. Também não é surpreendente, embora muito agressivo, a overdose de merchans mal disfarçados, como aquela música da Coca-Cola tocada de forma constrangedora por uma banda gringa de encomenda chamada One Night Only.
Por fim, o evento foi bem produzidinho, embora com as piadas artificiais de sempre, e Marcelo Adnet demonstrando mais sinais de desgaste como mestre de cerimônias. Já a melhor comediante da MTV hoje, Tatá Werneck, ficou reduzida a sobras dos blocos. Tomara que ganhe mais espaço quando o menino de ouro da emissora migrar para a Globo.
Lista de vencedores aqui.

Bom, começou com Lady Gaga vestida e atuando como menino. Puxa, que legal, curioso. Daí ela foi cantar e Brian May surge no palco com o cabelo mais grisalho do que nunca. Depois de um tempo, volta Lady Gaga ainda fazendo o papel de homem na homenagem a Britney Separs (estava linda!), querendo aparecer mais que a própria. Aí aconteceram outras coisas e Gaga ganha um prêmio e o recebe… vestida de homem. Ok, moça, a gente entendeu. Ficou até bom, mas piada velha cansa. E já que ela deu um tempo nas papagaiadas, quem tomou o lugar foi sua rival direta, Katy Perry, de gueixa colorida, toda roxa, cubo na cabeça… ah sim, ela ganhou o prêmio de vídeo do ano, mas prêmio ainda importa no VMA?
E teve Beyoncé grávida, Justin Bieber parecendo Maria Gadú (ou o contrário, não sei), homenagem a Amy Winehouse (Bruno Mars com visual Cássia Eller mandou bem, e foi bom ver o trecho do dueto com Tony Bennett, mas a intro de Russell Brand foi indigesta e senti pouca emoção na coisa toda), Nicky Minaj também tentando ser a Gaga de 2010, esquete fraca com Beavis & Butt-Head, a mãe de Tyler The Creator passando vergonha, Adele em showzinho intimista porém deslocado do espírito da festa, Beastie Boys de mentira mas não os de verdade (seria pedir demais), uns cantores novos que eu nem conhecia direito, e Lil Wayne terminando tudo como aquele seu tio bêbado que faz merda no fim da festa. E é isso. Esqueci de algo?
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Mais uma boa nova direto da Comic Con: as primeiras cenas dos adolescentes-símbolo dos anos 90. E permaneceram exatamente os mesmos, sensacional. Via Omelete.
Março foi o mês do “retorno à comédia” no Brasil. Há duas semanas, o “CQC” estreou sua quarta temporada. O “Pânico na TV” retornou algumas semanas antes, enquanto a programação 2011 da MTV segue com edições novas de seus três principais humorísticos: “Furo”, “Comédia” e “Quinta Categoria”. Por fim, tivemos no último fim de semana em São Paulo a segunda edição do Risadaria, maior festival do gênero no país.
No entanto, não deixa de ser uma triste coincidência o fato de essas coisas estarem acontecendo em um momento onde o humor brasileiro na TV está, a meu ver, em uma curva descendente. Ao mesmo que nunca se viu tanto humorista trabalhando, não dá para dizer que o aproveitamento de todo esse esforço seja dos melhores.
Em 2008, o “CQC” surgiu como um sinal de vitalidade – ainda que siga uma franquia de vários países – e até o “Pânico”, que desde sempre teve um humor de gosto duvidoso, parecia estar em uma boa fase, dando bastante espaço aos talentosos Evandro Santo – o Christian Pior – e Eduardo Sterblitch – o César Polvilho/Freddie Mercury Prateado.
Mas agora, em 2011, a graça parece ter se esvaído. Os dois programas não começaram bem suas temporadas, apostando em seus próprios clichês, como a insossa “busca pela panicat sagrada”, uma enésina desculpa para mostrar bundas; ou apelando para truques de outras eras, a exemplo de Danilo Gentili fazendo “pegadinhas sociais” em dois cantos do Brasil.
O caso da MTV traz a vantagem de permitir mais liberdade de linguagem aos comediantes, sem pudores para palavrões e piadas politicamente incorretas e meio inconsequentes. E nesse sentido, o “Furo MTV”, menos pretensioso que o “Pânico” e o “CQC”, costuma acertar mais que errar com seu texto afiado e o cinismo desmedido de Dani Calabresa e Bento Ribeiro. O “Quinta Categoria” às vezes se salva mais pela competente Tatá Werneck.
Já o “Comédia” é um pastiche pálido do “TV Pirata”, além de ser um mero veículo para o ego de Marcelo Adnet e suas milhares de imitações e paródias musicais. Confesso que ria muito mais do “Rock Gol”, que nem era um programa de humor pelo humor. E coincidência ou destino, o programa foi reformulado e muita de sua graça foi perdida com o atual apresentador, Eduardo Elias.
Pra começar, não vou entrar na pilha de que a culpa por essa má fase seja do “boom” do stand-up comedy no Brasil. Na verdade, essa má fase precede essa onda, e acho até que stand-up se faz no Brasil há muito mais tempo do que se imagina – ok, Ary Toledo e Costinha eram mais contadores de piadas nonstop do que o lance do Stand-up de transformar descrições de situações e opiniões em humor. Mas o que vem ao caso é que o problema da comédia no país é bem mais complexo e não tem um culpado específico.
O humor se torna forte em conjunturas sociais adversas. Na ditadura dos anos 70, tivemos o “Pasquim”, Jô Soares, Chico Anysio e os Trapalhões. Nos anos 80, aqueles de Sarney, tivemos os Cassetas no impresso e depois na Globo, com a “TV Pirata”, além da boa fase dos Trapalhões ter continuado. Chegaram os 90, eleições diretas e Plano Real. Morreram Mussum e Zacarias e a Escolinha do Professor Raimundo virou asilo de humoristas, com Costinha segurando tudo nas costas.
Fora isso, creio que a atual geração sofre com a comparação saudosa com os mestres do passado. É um lugar comum dizer que Rafinha Bastos, o tal tuiteiro mais influente da internet segundo o “New York Times” – retuitar piada é sinal de influência, afinal? – é um idiota sem talento, e bom mesmo era Chico Anysio e Mussum. Complicado isso, pois só o tempo vai fazer justiça ou injustiça aos atuais humoristas. Mas hoje já se pode dizer que os artistas de hoje não são tão carismáticos, pois desafiam mais as normas de conduta e questões éticas, sendo assim taxados de grossos, agressivos e insensíveis por muita gente.
Fazer humor não é fácil. Da concepção da piada até a resposta do espectador, o humorista precisa se antecipar a um sem número de gostos, opiniões e sensibilidades que possam gerar receptividade positiva no público. Além de, se possível, conseguir gerar alguma reflexão sobre os problemas do mundo. Em tempos tão chatos e tão próximos ao fim do mundo, temos cada vez mais sede de risadas. A tarefa é ingloria, mas alguém precisa fazer o serviço sujo. E bem feito. E rápido.






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