
Como era esperado, depois que (SPOILER DO “OS VINGADORES”) Tony Stark sugeriu a comida indiana como lanche após a superequipe salvar o mundo, as vendas subiram mais rápido que as botas propulsoras do Homem de Ferro. A imagem acima foi via Marcelo Forlani.
Aliás, já viu a cena pós-créditos do filme que só passou nos Estados Unidos e ainda não tem previsão de passar aqui? (a parte da receita foi acréscimo do cara que postou o vídeo).

Andei lendo várias opiniões sobre o filme dos Vingadores nos últimos dias. Uma introdução comum antes de algumas pessoas emitirem suas opiniões é “Não sou fã, mas…”. E depois vêm os elogios e comentários, sendo que muitos deles vão ao encontro do que a parcela nerd do público vem falando sobre a superprodução da Marvel.
Em 1978, surgiu o primeiro grande filme de super-heróis, o “Superman” estrelado por Christopher Reeve, considerado até hoje um tipo de Santo Graal desse gênero. Onze anos depois, foi a vez de Batman chegar a um grande filme pelas mãos de Tim Burton. Antes desses filmes, os dois heróis já haviam se tornado ícones universais da cultura pop não apenas pelos quadrinhos, que vendiam mais antigamente, mas principalmente pelos prévios seriados e desenhos animados. Ou seja, esses filmes estrearam em uma época em que os conceitos de “nerd” e “não-nerd” não era tão bem definidos; e todos nutriam alguma afinidade pelos dois heróis, em maior ou menor grau.
Nos anos 90, vários fatores mudam essa situação. Nos Estados Unidos, o mercado de comic shops ganha terreno e começa a sufocar a venda de quadrinhos nas bancas de revistas. A Marvel consolida a liderança de super-heróis com a revista que até hoje é um recorde com 3 milhões de edições vendidas: o primeiro número do título “X-Men” desenhado por Jim Lee. A internet começava a agregar leitores de todo o mundo. Nos cinemas, a franquia do Batman continua com resultados cada vez piores, chegando ao horrendo “Batman & Robin” de 1997. No fim da década, a Marvel quase foi à falência após perder seus melhores desenhistas, que fundaram a editora Image.
Entrávamos no ano 2000 em meio a uma crise criativa nos quadrinhos de super-heróis – crise essa que dura até hoje, aliás. E até aquele ano, os únicos heróis da DC que haviam ganho as telas do cinema ainda eram os mesmos Super-Homem e Batman de lá atrás. Na Marvel, a situação era pior: só os obscuros Howard o Pato (em 1986) e Blade (em 1998) haviam despontado em película. Ou seja, foram quase duas décadas em que não houve quase nenhum progresso para expandir a mitologia heroica junto ao grande público consumidor de cinema.
Esse panorama ajudou a consolidar uma fronteira bem definida. De um lado, havia os nerds leitores de HQs de longa data, conhecedores profundos do cânone dos heróis e pessoas profundamente desconfiadas dos rumos que esses personagens vinham tomando nas outras mídias. Do outro, o público “newbie”, “não-fã”, que ignorava a militância nerd e aguardava em silêncio por bons filmes com heróis. E não fazem distinção: podia ser tanto aqueles que “já ouviram falar” quanto aqueles a serem (re)descobertos pelos estúdios.
Mas aí a Marvel inaugurou uma nova era com o primeiro filme dos X-Men, de 2000. Produzido com prudência pela Fox e um orçamento apertado – afinal, quem do público geral conhecia aqueles tais “mutantes”? – foi um sucesso tremendo e abriu a porteira para as novas e bem sucedidas iniciativas da editora na sétima arte. O resto é história: Homem-Aranha, Homem de Ferro, Thor, Capitão América e os próprios X-Men estrelaram várias produções e mais uma vez reescreveram a história do casamento entre HQs e cinema.
Existem dois fatores cruciais para essa safra de filmes de super-hérois de todo tipo, inimaginável há duas ou três décadas. O primeiro é que os executivos pos trás desses filmes são nerds que aprenderam com os erros do passado e agora sabem como conduzir essas empreitadas nos âmbitos comercial e de entretenimento. O outro é o abraço amigo do não-fã a esses filmes. Os nerds mais xiitas podem reclamar, mas possivelmente a maior parte do dinheiro que faz esses filmes acontecerem vem do bolso dessa parcela do público.
E hoje a coisa evoluiu a um ponto que já existe até o “fã de super-heróis de cinema”, que por falta de paciência nerd, oportunidade ou qualquer outro motivo, não foi capaz de acompanhar esses herois nos quadrinhos, mas sabe bem que o esqueleto de Wolverine é feito do metal adamantium ou que apenas Thor é digno de levantar seu próprio martelo, pois aprendeu tudo isso apenas pelos filmes, mais didáticos e diretos ao ponto.
A história se mostra cíclica. E como na época do Super-Homem de Christopher Reeve, entendidos e neófitos dividem as salas de cinema e torcem juntos pelo mesmo cara superpoderoso. Os nerds podem até se orgulhar de ter pavimentado esse caminho, mas que bom que todo mundo, sem exceção, passeia tranquilamente por ele.
(Spoilers leves)
Normalmente quando terminamos de assistir a um excelente filme de super-heróis, como é o caso de “Os Vingadores”, o primeiro ímpeto é a clássica pergunta: “afinal, é o melhor filme de super-heróis já feito?”. Existe todo um retrospecto de altos e baixos por trás da questão, conquistas e traumas nerds pensados e repensados na balança ao longo das últimas quatro décadas. Da minha parte e tratando-se dos Vingadores, por enquanto eu não sei responder de novo a essa pergunta. Mas sei que, se não for o melhor filme de supers, certamente é o mais impressionante e superlativo já lançado até agora.
A matéria-prima de “Os Vingadores” vem de dois níveis: o primeiro, evidentemente, dos primeiros quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby, e o segundo, dos cinco filmes precedentes desse recém-formado Universo Marvel nos cinemas: os dois “Homem de Ferro”, “O Incrível Hulk”, “Thor” e “Capitão América”. A premissa é simples e eficiente como na HQ: o deus nórdico Loki tem um plano de conquista da Terra, e a ameaça é grande demais para a tropa de elite Marvel, a S.H.I.E.L.D., ou mesmo para os heróis citados combaterem isoladamente. A união de poderes e choques de personalidade é inevitável para impedir o pior.
A direção de Joss Whedon e a história coassinada pelo mesmo Whedon e Zak Penn demonstram em cada segundo de filme que missão dada é missão cumprida. E a missão era fazer o melhor e mais divertido filme de ação que esses personagens podem proporcionar sem perder de vista suas raízes de celulóide. Como nos demais filmes do estúdio Marvel em parceria com a Paramount, não há espaço para diretores imporem seu estilo pessoal ou firulas de roteiro. Aqui o papo é reto como um raio repulsor do Homem de Ferro. “Os Vingadores” é um daqueles sonhos nerd que esperaram décadas para se realizar e a Marvel assegura que nada ou ninguém mal-intencionado nos estúdios impeça isso.
Dito isso, é sentar na poltrona do cinema e relaxar com a habilidade de Whedon de dividir tempo e importância de tela para cada herói ou coadjuvante. Se usarmos um cronômetro, é possível mesmo que “Robert Downey Stark” ganhe a maior parte dos holofotes, mas é mais do que justo. Downey Jr. é de longe o mais tarimbado do grupo principal e seu já comprovado timing cômico é aqui elevado ao cubo, indo desde a ânsia de irritar Banner para se transformar no Hulk até as ironias contra a pompa asgardiana de Loki e Thor.
Mas os demais não estão mal, pelo contrário. Destaco sobretudo os que tinham mais chance de se dar mal por serem os menos poderosos: a Viúva Negra de Scarlett Johansson e o Gavião Arqueiro de Jeremy Renner. Ela está muito melhor do que no seu debute no “Homem de Ferro 2″ e ele, no começo da história, ganhou uma chance de aparecer “ao avesso” que deu muito certo. Chris Evans até me fez esquecer que um dia foi o Tocha Humana, conseguindo ser o Capitão líder que adoramos no terço final da trama; Chris Hemsworth é um Thor na medida; e o novato Mark Ruffalo foi para mim o menos interessante, não conseguindo compor muita coisa para Bruce Banner (ele é o Mark Ruffalo de sempre, na verdade), mas pelo menos o Hulk está finalmente em um grau certo entre o monstro e o herói por acaso.
Também não podemos esquecer de um tempero especial que a Marvel vem trazendo em suas produções: o humor certeiro o bastante a ponto de valorizar e não rebaixar seus próprios personagens. A comédia é essencial para não deixar o ritmo cair nas cenas sem ação, e eu poderia terminar este parágrafo só relembrando gag por gag, mas obviamente não farei isso. Só adianto que Tony Stark continua sendo o aluno mais engraçado da classe, mas felizmente não é o único. Quem diria que um dos diálogos mais divertidos viria de Thor?
E como não falar de um filme com Hulk, Thor, Homem de Ferro e Capitão América lado a lado sem falar das cenas de ação? Se os clássicos quebra-paus entre heróis do quadrinho transpostos para o live-action são presentinhos de luxo para quem os lê desde sempre, o terço final com a invasão alienígena é daqueles momentos que você precisa pôr suas mãos em concha debaixo do queixo esperando que ele caia rápido. E com um pouco de sorte e contexto histórico, periga ser daquelas que entrarão nas listas de grandes momentos da história do cinema. O tempo dirá.
Há pequenas falhas e desvios que passam batidos. A forma como Loki interrompe seu plano para se deixar prender pode fazer sentido em um contexto maior e com alguma boa vontade, mas é algo que um cara na mesma situação em um filme “realista” dificilmente faria. Idem para a forma como o Hulk passa de fera incontrolável para alguém que aparece quando é conveniente e aceita ordens do líder. Mas é o tipo de problema que você precisa desligar todo o seu emocional para achar, e ainda assim não te faz perder de vista o espetáculo maior. Afinal, “Os Vingadores” é isso: algo que transcende o status de mero filme-evento do verão americano e vira um grande acontecimento sensorial para fãs e não-fãs.
Parabéns, Marvel. E obrigado.
To watch more, visit tag
Eu sei, todo mundo viu esse vídeo ontem (o que está embedado acima eu puxei daqui), mas não custa nada deixar registrado aqui que, apesar de haver controvérsias sobre a necessidade dos Simpsons continuarem na ativa apenas para acumularem recordes de duração no ar, vez por outra eles acertam como cronistas/parodiadores dos assuntos do momento.
Se você é daqueles que conheceu o Capitão América no filme do ano passado, então esse post não é para você. Um marvete desocupado pegou o áudio do último trailer do filme dos Vingadores e enxertou todo com cenas dos primeiros desenhos animados da Marvel, dos anos 60 – que se tornaram um culto nerd por aproveitar diretamente as imagens dos quadrinhos e animá-las precariamente como se fossem os primeiros vídeos em Flash Player. A exceção foi Nick Fury, que foi de desenhos mais recentes. E sim, aquela moça de máscara é a Viúva Negra em seu primeiro uniforme. Vi no Melhores do Mundo.

A turnê brasileira de Morrissey começa nesta semana (mais detalhes aqui), então para quem vai – eu passei – isso aqui serve como um aquecimento simpático criado por esse nerd sem noção, Alan P, Pomona.
Jess Carrasco me mostrou esse Super Morrissey Bros. sensacional.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=jv6BoCOOjD4]
Uma das pautas recentes nas rodinhas nerds é quem vai gerar o melhor filme de super-herói do ano: Christopher Nolan com “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” ou Joss Whedon com o aguardadíssimo nascimento dos Vingadores no cinema. Não bastasse a evidente polarização Marvel x DC surgindo mais uma vez, trata-se de um ícone veterano que veio de duas vitórias no cinema contra a estreia da principal superequipe da Marvel. Que apesar de contar com heróis de menor calibre icônico que a equivalente da DC, a Liga da Justiça, seus integrantes já agregam duas vitórias (os dois filmes do Homem de Ferro) e três empates (Thor, Capitão e o último do Hulk).
E eis que chegamos a este trailer, que está simplesmente impressionante. Muitos bons pedaços de ação, revela e esconde a trama o bastante – ok, há uma ameaça global e eles se reunirão para combatê-la; qual e como é a ameaça pouco importa – um diálogo tenso entre o chefão Nick Sam Jackson Fury e o vilão Loki, e até o sempre duvidoso Hulk digital está bem aproveitado – o que é aquela cena dele salvando o Homem de Ferro? Pelo visto em abril nós, nerds, voltaremos a ter 10 anos de idade.
Ah, o Batman? É, também quero ver, mas sem pressa…

… como era de se esperar, ele não vai planar, e sim ‘deslizar’. Também não divulgaram preço, mas deve custar caro.
Segue também o release da Mattel:
Back to the Future Hover Board: Finally! This totally awesome 1:1 replica of the hover board from the BTTF 2 and BTTF 3 films includes multiple whooshing sounds and will glide over most surfaces (does not actually “hover” – check back in 2015 for that feature). We’ll be taking orders for it March 1 – March 20, 2012, and the final product will be shipped around November/December 2012. Because this is such a high-cost item, there will be a minimum number of orders required to go into production. If we don’t receive the minimum orders, won’t go into production and customers will not be charged. The price will be announced later this month. (Note: Hover board does not work on water.)
Repare no trecho “Does not actually “hover” – check back in 2015 for that feature”. Sei, sei… se nem o capacitor de fluxo foi feito ainda…

O maior evento de tecnologia do país começou nesta semana e já ganhou sua primeira grande trollagem. O mais assustador sobre esse Tumblr é que há uma boa chance dele estar sendo alimentado por um sujeito que está na Campus Party e também não está transando. Oh wait, acabei de descrever 95% do público do evento? Aliás, 95% dos nerds? Mas nerd não está na moda agora?
Seja como for, as legendas são ótimas.





[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wTInvZtdS1I]
Este é o reality show “Comic Book Men”, de Kevin Smith, sobre, óbvio, donos de comic shop. É ambientada na comic shop de Smith, Jay and Silent Bob’s Secret Stash, e estreia nos EUA em 12 de fevereiro na AMC. No primeiro vídeo acima, já entregam a falta de noção nerd da coisa: Robin é mais famoso que Jesus. Vi no Omelete.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=J_3C114lW7Y]







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