
De um lado, um quase-novato com oito anos de estrada, e do outro, um veterano de mais de três décadas de carreira porém recém-saído de uma das maiores bandas do indie rock. A noite de 12 de abril no Cine Joia prometia ser pelo menos metade ótima. Thurston Moore, como esperado, fez um show sensacional mas Kurt Vile também não fez feio, e os dois shows juntos criaram um diálogo bem interessante que deixou a noite ainda mais grandiosa.
Tenho pouco a dizer sobre Kurt Vile, ex-The War on Drugs, por assumida falta de conhecimento. Ouvi e gostei de faixas isoladas de seu último disco, “Smoke Ring for My Halo”, mas nem mesmo as memorizei para distingui-las no repertório. O fato é que Kurt e banda, com seu som pesado e seco com vocal melódico, trazem ecos noventistas de Dinosaur Jr. e Screaming Trees, alternando com momentos acústicos meio Dylanianos. Um pós-grunge-folk, por assim dizer, que teve ótimos momentos, mas na minha opinião demorou um pouco para um show de abertura – umas duas músicas a menos não faria mal.
Sem grandes atrasos, por volta das 23h30, Thurston Moore sobe ao palco com seu figurino típico – jeans, camisa branca de manga comprida e cabelo na cara – abre com “Orchard Street”, soando inicialmente melódica como no disco, mas gradativamente o sujeito cede ao seu ponto forte: as camadas de microfonia e arroubos de barulho. O crescendo na canção a torna mais longa e poderosa, e quando termina é como se fosse o show inteiro em uma música só. E só estava começando.
Segundo este setlist, Thurston tocou cinco músicas do disco mais recente, “Demolished Thoughs”; foi o mesmo númnero de faixas do primeiro, “Psychic Hearts”. Brincou com uma cover improvisada de “It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)” e interagiu de forma meio chapada com a plateia, chegando até a pedir para escovar os pelos pubianos de uma menina que lhe jogou uma escova de dentes.
Mas foi uma felicidade constatar que Thurston não economizaria no noise, mesmo que em seu momento solo esteja mais acústico. Seu domínio com a microfonia já era comprovado com guitarras, mas fazer o mesmo com violões – que são mais complicados de domar na mesa de som – foi uma surpresa daquelas. Como esperado, não tocou nada do Sonic Youth nem o “hit” mais recente, “Benediction”, mas nem fizeram falta. Foi um show impecável que acalentou quem ainda está “viúvo” pelo aparente fim de sua parceria com Kim Gordon, Lee Ranaldo e Steve Shelley.
Orchard Street
Never Day
In Silver Rain With a Paper Key
Cindy (Rotten Tanx)
Groovie & Linda
It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)
Blood Never Lies
Circulation
Mina Loy
Pretty Bad
Ono Soul
Bis:
See-Through Playmate
Staring Statues
Bis 2:
Patti Smith Math Scratch

Demorou, mas publico agora a segunda parte da entrevista exclusiva com o cantor paulistano Pélico, autor de dois discos independentes, artista interessado nas relações humanas, entusiasta da nova geração do pop nacional, fã de Trini Lopez… tudo isso e mais você lê abaixo, agora. Ah, e a primeira parte da conversa está aqui.
Gostaria que você comentasse um pouco esse momento da música brasileira, sobre Jeneci, Tulipa e demais. Acha que estamos em um bom caminho?
Acho interessantíssimo e acredito muito nessa nova geração. Acho que estaoms vivendo um momento muito bonito, muito relevante. Costumo dizer isso: as pessoas falam sobre cena ou movimento… existe uma nova geração que é natural da vida. As pessoas nascem, começam a produzir e aí surgem as novas gerações de artistas. Acho que, não é porque etou vivendo essa geração, mas a acho muito especial. Consigo enxergar qualidades: boas melodias bons letristas, discos muito bem arranjados e tecnicamente bons… então eu sou muito otimista.
Apesar disso, o grande público ainda não descobriu essas artistas. Acha que isso ainda vai acontecer?
Acho que sim. O grande público ainda consome um outro tipo de música. O verdadeiro Brasil ainda não conhece esses artistas. Acho que muitos desses, como a Tulipa, o Jeneci, o Criolo, estão bem adiantados nisso, mas acho que ainda há um longo caminho. Você precisa sair das grandes cidades. O Brasil não é só feito de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, é muito maior do que isso. As pessoas (o público) não têm conhecimento ainda, mas acredito que agora vem uma onda de produtores conscientes, que estão aprendendo a trabalhar com essa nova forma de mercado, e esses artistas e produtores criam uma indústria. Acho que aí podem ficar preocupados de atingir o grande público mesmo. Estão todos aprendendo a viver nessa nova forma de mercado. Estou muito feliz com essa geração, mas a gente vai poder falar se tornou-se realmente importante daqui a uns anos. Acredito que seja, mas daqui a dez anos vamos poder dizer: “olha, aquilo foi realmente importante que aconteceu naquela década”.
Voltando ao seu disco, foi realmente inspirado em um final de relacionamento seu?
Sim.
Quanto desse relacionamento o disco traz? Há outros temas em paralelo?
Na verdade, isso é uma forma genérica. Não foi feito só para uma mulher. Eu abri minha vida pessoal ali, não há músicas só para uma pessoa. “O Menino”, por exemplo, foi feita para meu pai, sobre uma conversa sincera de pai para filho. “Não Corra, Não Mate, Não Morra”, que é uma parceria minha com Estevão Bertoni do Bazar Pamplona, uma banda daqui de São Paulo… é a história de uma banda que vai tocar no interior e é um fracasso geral, só problema. A faixa-título do disco eu fiz para um amigo. Eu estava vivendo esse momento de ruptura de uma relação, meu amigo me ajudou muito e eu fiz essa música para ele. Então as pessoas pensam: “que bonito, é sobre uma mulher”, e não é (risos). Estava me expondo para ele e admitindo que fracassei. “Ainda Não é Tempo de Chorar”, fiz para uma amiga minha que estava passando por um momento difícil. “Tenha Fé Meu Bem” eu fiz para uma amiga também, foi minha primeira namorada de muitos anos. Ela teve câncer e um dia liguei para ela e começamos a conversar. Tudo que eu dizia parecia insuficiente, eu não sabia como lidar com aquilo e fiquei muito abalado mesmo com essa notícia. Quando desliguei o telefone eu tive aquela sensação que não contribuí em nada, sabe? Eu não podia ajudar e talvez não devesse ajudar, pois não cabe a mim. É uma coisa tão maior do que nós… e em saber o que dizer eu escrevi isso para ela. Então não tem todo esse discurso pé na bunda. É uma coisa mais abrangente.
Como essas pessoas todas reagiram ao disco?
Essa minha amiga de “Tenha Fé Meu Bem” adorou, me mandou um e-mail lindo agradecendo, que foi muito bom para ela saber de tudo aquilo. Claro, aquelas mais raivosas, que foram para a minha ex-mulher, ela não ficou muito feliz, mas gosta do disco também, achou muito sincero. As respostas das demais pessoas sempre me deram um bom feedback.
Que outros temas te inspiram além do amor, afinal?
As relações, na verdade, me atraem. Não só nessa questão do passional, mas as relações humanas.
Desilusão amorosa te inspira mais do que amor correspondido?
É um grande desafio para mim escrever sobre o “sim”, sobre a coisa boa. Sempre penso em uma frase do Balzac: “Felicidade não tem história nenhuma” (risos). Até admiro o Lulu Santos, por exemplo, que consegue escrever várias canções do tipo “estou feliz de estar com você”. O Camelo fez um disco agora, “Toque Dela”, que é só isso de estar apaixonado. Tenho uma certa admiração por eles.
E Jeneci?
Também. Jeneci é trilha sonora para o altar, né? (risos)
O que você tem ouvido ultimamente, além dos já citados?
Ouço muito o novo disco da Céu, o disco da Karina Buhr… e Beatles ouço quase todos os dias. Que mais… estou com um CD no carro de Trini Lopez, cara. É meio um Chuck Berry latino, o compositor de “La Bamba” se não me engano.
Qual é a dificuldade de ser um artista novo em 2012? Seus discos são independentes, não é isso?
O primeiro é independente distribuído pela Tratore, o segundo eu assinei com a YB, mas é um contrato só de sincronização e edição de música. Eu e Jesus Sanchez pagamos, o arranjador cedeu o estúdio, foi um racha entre as pessoas que participaram.
O que você vislumbra a respeito da situação atual da distribuição ilegal de música digital? Como os artistas devem reagir a isso?
Acho que o caminho são os editais, os festivais… já é a nova ordem. As gravadoras estão com menos grana, mas gostaria que continuassem investindo em novos artistas, como Felipe Catto, na Universal. Mesmo esses artistas de grandes gravadoras também têm muitas dificuldades de chegar ao grande público. Muitos artistas estão disponibilizando oficialmente seu disco para download, salvo alguns tipos de contrato com selos e patrocínio de marcas, que naõ deixam download mas já devem estar contando que isso aconteça [ilegalmente]… e vivendo de shows, montando banquinha com CDs e camisetas. Não sei o que vai acontecer, mas o que já está acontecendo. Você disponibilizando ou não, seu disco vai circular pela rede. Não vejo uma forma legal de você cobrar por isso. Quando se atinge uma determinada popularidade você pode criar ações algo como o Radiohead fez, mas nisso você precisa de popularidade. Você ainda precisa divulgar seu trabalho. É muito mais interessante que sua música chegue de graça em Manaus, mesmo se isso seja de graça para que as pessoas ouçam para que o contratante de lá te chame para fazer shows, pagando cachê, e você vende CDs. Alguns artistas já conseguem viver de música nesse formato, arrumando algumas formas de ganhar com shows e venda de CDs em shows.
No seu caso, está dando certo?
Eu ainda não consigo viver de música, mas já me toma 60% a 70% do meu tempo. Trabalho em outro emprego em um estúdio, eu sou sound designer, e estou dando entrevista agora no meu trabalho. Claro que é o meu desejo viver de música, e estou trabalhando para isso.

“The Wall” é um grande paradoxo. Na aparência, é um manifesto sobre um grande tema: a sanha da humanidade em promover guerras. Nas entranhas, é também uma forte metáfora intimista de seu criador, Roger Waters. Fez do disco de 1979 um divã aberto sobre seus traumas: a perda do pai, morto na Segunda Guerra quando ainda era bebê; a paranóica percepção política de sua mãe comunista; e a inquietação e o isolamento de ser alçado ao status de ídolo pop.
A atual turnê de Waters para sua obra mais pessoal e grandiloquente – mais um paradoxo – entrega ao público dois extremos: são duas horas de nostalgia pós-hippie que também se mostram um grande momento hedonista, tecnológico e embalado para um público pouco interessado em revoluções. Não é culpa do público apenas. Se no fim dos anos 70 Waters já era o oposto do que atacava em seu libelo – ditador dentro do Pink Floyd, um coroa milionário fora dele – as coisas não mudaram muito em 2012. Isso sem contar as mudanças da música e do mundo nos últimos 30 anos.
O comunismo “acabou”, o Pink Floyd idem, e “The Wall”, o disco, não rende mais dinheiro porque pode ser baixado gratuitamente e guardado em iPhones. Portanto resta a essa nova turnê dar continuidade aos lucros desse bem sucedido produto pop, com todas as devidas atualizações tecnológicas a que tem direito. E nisso, foi muito bem sucedida. O show do dia 3 de abril, no Estádio do Morumbi, é um deleite para olhos e ouvidos, para fãs antigos e neófitos, apesar de não escapar de alguns exageros e obviedades.
Visto da arquibancada, Roger Waters aparece quase microscópico perto daquele muro incompleto no início, em “In The Flesh?”. Mas a impressão não deve ser muito diferente para quem viu da pista, e rapidamente percebe-se o motivo. “The Wall”, o show, foi feito para se ver de longe, porque passados os fogos de artifício, descobrimos que o muro-telão é o real protagonista do espetáculo. Tanto é que até o ego de Waters se rende a ele e se permite ser um pretexto para coreografar imagens pré-gravadas de si mesmo como se fosse “ao vivo”, além das “paredes” de vocais em playback que só enganariam o ouvinte mais desatento de Britney Spears.

Contamos ainda com um bom aparato sonoro com uma espécie de Dolby para estádios, que arrepia com o som ostensivo de helicópteros e aviões zunindo de trás, da esquerda para a direita, ao final de “In The Flesh?”. No mais, o show também é bem fornido de referências, desde as originais que regaram o disco – “1984″, Kafka, Guerra Fria, Berlim, nazismo, rigidez educacional – até as atualizações – os iTudos da Apple, as câmeras de vigilância, Jean Charles e os demais “mortos pelo terrorismo de Estado”. Tudo entrecortado pelas animações clássicas de “The Wall”, o filme de 1982.
O show prossegue de acordo com a ordem original do álbum, e como esperado, as melhores músicas rendem também os pontos altos da apresentação. “Another Brick in the Wall Part 2″ contou com a participação de um coral de crianças de Heliópolis (SP); a confessional “Mother” também alude ao Grande Irmão de George Orwell (“Big Brother Mother is watching you”, diz a projeção); e “Goodbye Blue Sky” traz aviões bombardeando a terra com suásticas, cruzes e outros símbolos dogmáticos.
Por outro lado, não há como negar o óbvio: estamos diante de um dos maiores megalomaníacos do rock, e claro que isso resultaria em alguns pequenos constrangimentos. Na própria “Another Brick in the Wall Part 2″, as crianças encenam uma insossa coreografia de bracinhos em riste contra o bonecão do professor do mal. “Comfortably Numb” começa bem, com o telão mostrando uma espécie de espaço sideral de tijolos, mas que no final abre um céu de arco-íris ao sinal do próprio Waters. Um tremendo “Double Rainbow” de luxo.
Com o muro levantado e depois derrubado, a mensagem dos tijolos caídos não nos diz se Waters pregando contra a tirania e o capitalismo em um show que custa até R$ 900 de ingresso é genial, irônico ou bastante ingênuo. Apoiado pela tecnologia, que sempre foi um dos trunfos do Pink Floyd em relação aos demais dinossauros do pop, e um roteiro rigoroso (previsível, se você preferir assim), Waters conduziu no Brasil mais um grande momento de entretenimento que, para o bem e para o mal, transcendeu o fator música. E nos faz lembrar que podemos ser uma das últimas gerações a vê-lo em carne e osso, mesmo sob uma tonelada de pixels e watts ao seu redor. Nem os mestres escapam da mortalidade, mas o digital já começou o trabalho de perpetuar suas ideias para o futuro.

Depois de me apersentar no telefone, perguntei a Pélico se este era nome mesmo ou nome artístico. Tudo bem, era uma informação que eu teria descoberto rapidamente em uma busca no Google, mas já que não fiz, o próprio disse que se chama Robson Pélico, é um paulistano tem 36 anos e apesar de ter contato com estúdios de gravação há quase duas décadas, só nos últimos seis anos ele vem soltando sua própria música no mundo. Tem um EP e dois discos na praça; o último, “Que Isso Fique Entre Nós”, é de 2011 e representa não apenas uma mudança estética – deixou a guitarra de lado e fez um trabalho mais contemplativo – como pessoal – expôs parte dos recentes fatos de sua vida íntima, principalmente uma difícil separação. E é enfim um nome para ficar atento, pois Pélico tem sensibilidade e influências para nos prover com muito mais boas canções daqui para frente.
Pélico no momento prepara uma cover de “Condicional”, do Los Hermanos, para um disco-homenagem produzido pelo blog de Belo Horizonte Musicoteca. Participarão ainda outros nomes celebrados como A Banda Mais Bonita da Cidade, Banda Gentileza, Cícero, Do Amor e outros.
Com vocês, a primeira parte da extrevista exlcusiva que Pélico deu a este blog.
Você já acumula quantos anos de carreira mesmo?
O primeiro EP que eu gravei foi em 2001. Mas até 2006 eu tive algumas paradas. Gravei um disco em 2003, tocava, parava… Mas comecei a encarar como uma carreira mesmo a partir de 2006.
E o que provocou essas paradas?
Bom, na verdade eu tinha encontrado minha turma. Tive banda aos 15 anos, mas sempre fui mais compositor, queria gravar minhas músicas e aí não batia, não achava as pessoas que queriam tocar comigo, só me acompanhar. Aí cheguei a gravar um disco em 2003 e ficava insatisfeito, “pô, não achava minha turma”, e isso me dava uma brochada. Mas em 2006 conheci uma galera que toca até hoje comigo, que é o Jesus Sanchez, meu produtor, o Régis Damasceno do Cidadão Instigado, o Marcelo Effori, que toca com uma galera aqui em São Paulo… isso me motivou muito e aí eu não parei mais.
Então você acha que trabalha melhor como artista solo?
Na verdade toda a estética dos meus discos foi construída a quatro mãos, por mim e Jesus Sanchez. Mas acho mais fácil, nunca soube lidar com banda. Essa coisa de todo mundo dar opinião… claro que até hoje os músicos dao opinião e acrescentam muito ao disco. Mas acho que pra mim não serve porque a banda fica em um formato muito fechado. E a cada música eu conto uma história, coloco instrumentos variados, cada disco tem uma estética… se eu tivesse uma banda seria muito difícil ter isso, que é uma coisa que eu valorizo muito. Então optei por uma carreira solo e um produtor para organizar tudo isso. Eu prefiro. Quer dizer, nem sei se prefiro, mas é que funciona melhor, sabe? É uma coisa de necessidade.
Esse segundo disco de 2011 é bem diferente do primeiro.
Sim, bem diferente.
O primeiro tem uma estética mais rock, e esse é mais instrospectivo.
Acho que foi um processo natural para mim. Quando eu gravei “O Último Dia de um Homem sem Juízo” eu queria que o disco soasse mais agressivo, pois eu estava passando por isso também, sentindo as coisas mais agressivas. E aí a minha vida começou a ficar mais serena, e as canções pediam isso, arranjos menos raivosos, priorizando mais a beleza das melodias. Queria que os arranjos contribuíssem para as canções, que valorizassem as melodias, e não queria nada brigando com isso. No anterior eu queria aquela raiva, nesse outro não.
Nesse último também há menos guitarra.
É um instrumento que ocupa muito espaço, né? (risos) A guitarra distorcida…
Mas você aposentou a guitarra para sempre?
Não, não. Nos shows eu toco. O show tem um pouco mais de pegada que o disco, é mais rock. Não diria rock, mas tem mais energia. Ao vivo tudo tem mais pressão. Eu não virei uma chave “eu não flerto mais com rock”. Eu adoro, ainda ouço muito. Acho que no fundo consigo mesclar um pouco mais. Adoro a sonoridade do “O Último Dia de um Homem sem Juízo”.
Tulipa Ruiz assina o release de seu disco, “Que Isso Fique Entre Nós”. Você acha que com essa mudança, estaria mais próximo do som dela, Jeneci e outros artistas dessa safra?
Cara, não sei. Não penso muito nisso. Somos amigos, nos conhecemos há uns três anos. Acho que foi um processo natural, muito mais reflexo da minha vida pessoal. Claro, ouço Tulipa, Jeneci, ouço a Tiê, Rafael Castro, Trupe Chá de Boldo, Apanhador Só, Mombojó… enfim, tudo isso acaba influenciando a gente, né? Mas eu acho que essa mudança tem muito mais a ver com o que eu estava passando na minha vida pessoal no momento do que uma busca por sonoridade. Quando a gente produziu, a gente sempre procura o que a canção pede, e não vamos atrás de transformá-la em alguma coisa. Tipo: “a letra fala isso, a melodia é assim, então vamos chegar com o arranjo para que isso seja valorizado”.
O arranjo é uma coisa fundamental para você no processo de gravação?
É, bastante. Eu trabalho há muito tempo em estúdio, desde os 17 anos, então peguei o gosto, sempre gostei de produção. Eu sempre coproduzo os meus discos, talvez pelas minhas influências: Mutantes, Tom Zé, Beatles… vi que os arranjos têm uma importância muito forte. Então talvez isso tenha uma influência por eu ser rato de estúdio, gosto de ficar brincando, de ficar testando: “olha, isso aqui é legal, isso aqui não é, isso aqui está atrapalhando…”, então eu gosto de trabalhar nesse sentido.
Pensa em ser produtor também?
Eu penso, gostaria de produzir algumas coisas, não ficar só coproduzindo as minhas. Quem sabe? Mais para frente eu pegaria alguma banda para produzir? Gostaria muito.
(Leia a segunda parte da entrevista aqui)

Você talvez nem estivesse sabendo, mas o Atari Teenage Riot, aquela banda alemã de barulho sem noção que nós achávamos sensacional na virada dos 2000, adiou o show que rolaria agora em março em São Paulo (Cine Joia). O motivo: a garganta da vocalista Nic Endo pipocou, como informa um dos donos do Cine Joia, Lúcio Ribeiro. Mas já remarcaram: vai para o dia 14 de junho, e no dia seguinte vai rolar um DJ set de Alec Empire em Campinas.
Confesso que até iria pela nostalgia. Mas tenho outros planos para a data.

Vi a notícia nesse tal site O Vale, mas esse link eu vi mesmo no gringo io9.
Moradores e empresários de Taubaté aprovaram a iniciativa da Polícia Militar de convidar o militar aposentado André Luiz Pinheiro, 50 anos, que costuma se fantasiar de Batman, para participar do esforço de paz em bairros da cidade com índices elevados de criminalidade.
O objetivo é que ele faça parte do Movimento pela Paz, realizado por diversas entidades da sociedade civil organizada e que teve sua primeira edição no último domingo.
A Polícia Militar quer que o “Batman de Taubaté” comece sua atuação já no próximo dia 17, quando será realizada mais uma etapa do trabalho de combate à criminalidade no bairro Esplanada Santa Terezinha, considerado um dos mais violentos do município.
A ação fará parte dos esforços da UAPC (Unidade Avançada de Polícia Comunitária) instalada no bairro no ano passado pela PM com a finalidade de auxiliar a integração entre os policiais e a comunidade.
Notícia de gente fantasiada de herói na “vida real” para ajudar as pessoas não é novidade, mas o que me impressiona na imagem é que o sujeito de Taubaté é nerd mesmo. Nota-se pela qualidade da fantasia e ele tem outras 200 outras de outros personagens. Só que eu fico dividido: ok, legal que alguém dedique seu tempo ao altruísmo, mas também sinto muita vergonha de ver um adulto vestido assim e se levando a sério…
Para encerrar o post, uma iniciativa mais fanfarrona envolvendo roupa de Batman, qu vi no MDM. O cara é de Toronto e fica gritando falas do filme no estilo rouco de Christian Bale pra assustar a galera.
Fiquei sabendo que o Howler vinha para cá e até bateu uma vontadezinha de ir, mas fevereiro foi uma loucura de eventos – como se só o Carnaval já não bastasse – e juntando com a preguiça, acabei ignorando. Rolou no domingo, dia 26 de fereveiro, dia de Oscar e chuva, e um cara do Move That Jukebox contou mais detalhes. Rolou abertura da promessa paulistana Some Community (que vai para o South By Southwest deste ano), conversa com o público, o Hino Nacional Brasileiro, fãs cantando músicas que surgiram há poucos meses… pela descrição, pareceu minimamente divertido. Aguardemos a próxima visita dos caras.

Cheguei atrasado ao show de Marcelo Camelo. Falo isso nos dois sentidos: só consegui vê-lo quase um ano após o lançamento de seu segundo disco solo, “Toque Dela”, e cheguei ao SESC Belenzinho na última sexta, dia 10 de fevereiro, na metade da segunda música, justamente na execução do hit “Ô Ô”. Mas a minha maior surpresa é que a carreira individual fez bem não apenas a Camelo, mas também a seu público, que pelo menos neste show, passou longe dos arroubos de histeria que permeavam os últimos shows do Los Hermanos e curtiu tudo com discrição, abraçando as respectivas namoradas ou cantando baixinho.
Não é qualquer músico que consegue contar com o Hurtmold como banda de apoio, e ainda assim fazer com que esta banda contenha seu natural talento experimentalista para servir apenas ao astro da noite. Camelo transitou bem entre as músicas dos dois discos e ainda jogou duas do “4″ dos Hermanos, “Morena” e “Pois É”. Imbuído de algum espírito de Carnaval, tocou no bis a marchinha “Copacabana” seguido da coreografia de duas samambaias (?), que estavam enfeitando o palco e que depois o próprio Camelo doou para pessoas da plateia. No final, fico devidamente satisfeito por um lado e lamentando por outro, por não ter conseguido ingressos para essa nova temporada de shows do Los Hermanos, que promete ferver.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=91uvNpbLK2I]

* Stallone e Schwarzenegger vão fazer mais um filme juntos: “The Tomb”. Na trama, Stallone é um especialista em prisão de alta segurança que tem que encontrar uma maneira de sair da prisão impecável ele mesmo criou. Mas o que importa é essa foto de divulgação pra viralizar o projeto. Como bem disse o EW, eles estão completando a transformação deles em Walter Matthau e Jack Lemmon [EW]
* Novos confirmados no Sónar brasileiro: Mogwai, Squarpusher, Seth Troxler, Hudson Mohawke, Jeff Mills e os brasileiros Silva e Gang do Eletro [Estadão]
* Vaccines, Junior Boys e The Naked and Famous farão shows em São Paulo. O primeiro, em 18 de abril, o segundo, em 8 de março, e o terceiro, em 16 de março. Todos no Cine Joia. Ah, e tem Atari Teenage Riot em 23 de março [Popload]
* O seriado “House” acabará após a exibição da atual temporada, a oitava e última [MTV]
* Finalmente um motivo decente para ver o Grammy: os Beach Boys remanescentes vão se reunir lá para uma apresentação especial. A banda completa 50 anos em 2012 e fala-se em planos de uma turnê. Opa… [Los Angeles Times]
* Agnaldo Timóteo foi impedido de discursar no velório de Wando pela filha do mesmo [Folha]










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